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Covid-19 – Pessoas com deficiência, familiares, cuidadores e cuidados básicos:

Quem pode cuidar da gente em tempos de pandemia?

Sábado, 15 de Agosto de 2020.

  Covid-19 – Pessoas com deficiência, familiares, cuidadores e cuidados básicos: Sabe-se que a deficiência pode ser socialmente definida como produto do descompasso entre as condições do indivíduo afetado por uma limitação funcional, o meio ambiente, as suas expectativas quanto à execução das atividades básicas e instrumentais de vida diária. Tanto quanto concatenadas com imprescindíveis serviços de saúde e reabilitação, disponibilizados na comunidade para suprir e assegurar condições instrumentais e sociais que propiciem vida com dignidade, mantendo melhor nível de autonomia e promovendo autoestima aos deficientes. Além de recursos instrumentais, as pessoas com deficiência precisam de recursos pessoais para enfrentar os preconceitos e estereótipos existentes na sociedade, pois geralmente são objeto de discriminação e de preconceito, expressados por pessoas menos esclarecidas ou desprovidas de valores morais e espirituais.
As pessoas com transtornos do espectro autista, se caracterizam pela apresentação de déficits persistentes na comunicação e interação social, a presença de comportamentos, atividades e interesses restritos e repetitivos, características que devem estar presentes desde cedo no desenvolvimento da criança, levando a prejuízos sociais, ocupacionais e outros. Devido aos déficits de comunicação, caso faltem seus pais ou cuidadores principais, essas pessoas resistem receber cuidados de alguém alheio ao seu núcleo familiar mais próximo, o que se torna questão a ser trabalhada pelos enfermeiros da linha de frente nas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) e do Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD), buscando conquistar confiança para lhes prestar cuidados, e atuar de forma preventiva para agravos comportamentais dos seus quadros.
Semelhantemente, pessoas com síndrome de Down apresentam atraso no seu desenvolvimento e deficiência intelectual em algum grau, que se expressam por limitações significativas na área cognitiva e no comportamento adaptativo necessários para a aquisição de conceitos, realização de atividades práticas e interação social, além dos aspectos físicos e intercorrências clínicas que influenciam no desenvolvimento de suas habilidades motoras e de comunicação. Limitações cognitivas que implicam na dependência total para algumas necessidades básicas e instrumentais do dia a dia, a depender do grau de comprometimento intelectual e do preparo recebido desde a tenra infância, podem carecer da presença atenta de seus cuidadores para lhes garantir cuidados básicos de higiene e alimentação, por exemplo. Cuidados prestados pelos enfermeiros e suas equipes, desde os espaços institucionais de saúde e reabilitação, culminando na Atenção Básica de Saúde, no contexto das ESF e do SAD.
O mesmo se pode esperar de cuidados para com idosos com síndrome demencial, mobilidade reduzida ou sequelas de acidente vascular cerebral (AVC), cujos limitações funcionais/sensoriais comprometem sobremaneira a capacidade de cuidar de si com total independência. Assomadas aos milhares de pessoas com histórico de acidentes que resultaram em lesões medulares, paraplégicos e tetraplégicos que, a depender da área medular espinhal atingida, dependem da ajuda de cuidadores para suas necessidades básicas e instrumentais. Em ambos os casos, cabe aos enfermeiros como terapeutas do cuidado, o planejamento, implementação e avaliação de intervenções focadas no atendimento integral dessas pessoas e seus familiares, considerando seus potenciais níveis de dependência funcional e necessidade de cuidados para atividades cotidianas. O implemento de estratégias de orientação para o cuidado deve ser priorizado, particularmente, na fase de preparo para alta hospitalar ou do programa de reabilitação que lhes hajam oferecido vínculo institucional, para que se possam estender aos âmbitos da ESF e do SAD e suas equipes de Enfermagem atuantes na comunidade. Talvez pela representação arquetípica atribuída à Enfermagem ao longo da nossa trajetória histórica, cuidar de pessoas doentes ou dependentes para suas necessidades humanas básicas, tem sido nossa missão altruística como categoria profissional, evidenciada para a comunidade internacional através da incansável labuta na linha de frente da pandemia da covid-19, traduzidos em inestimáveis cuidados e serviços essenciais prestados à humanidade.


Por Dr. Willian Machado