Crianças e adolescentes nas redes sociais

Sábado, 23 de Março de 2019.

Esta semana, milhares de pais ficaram apreensivos com a notícia, espalhada rapidamente, de que a Momo estava de volta nas redes sociais, desta vez ameaçando as crianças por meio de vídeos do YouTube, concitando-as à violência e ao suicídio. Momo, para quem não sabe, é uma escultura de mulher com cabelos negros, olhos grandes e pernas de pássaro, criada pela empresa japonesa Link Factory, cuja imagem foi inapropriadamente usada, há pouco tempo, para disseminar medo entre os pequenos através de um número supostamente ‘amaldiçoado’ no WhatsApp.
A informação gerou, como era de se esperar, um frisson na web, e logo tornou-se viral. O Google teve de vir a público desmentir que o conteúdo estivesse sendo vinculado no YouTube Kids, explicando a diferença entre este e o YouTube tradicional: os filtros que se aplicam à versão infantil do canal de vídeos “jamais deixariam que algo desse tipo entrasse de maneira aleatória na mídia”, sendo imprescindível para isso que os usuários deletassem e republicassem a postagem, o que nesse caso a obrigaria a passar por novo filtro.
A companhia citou, ainda, o que acontece quando várias pessoas começam a pesquisar um assunto: os algoritmos relacionados às suas palavras-chave fazem com que ele rapidamente ‘suba’, podendo ser encontrado com facilidade. É, aliás, o que ocorre com qualquer tema, seja bom ou ruim: quanto mais se fala dele, mais ele ganha notoriedade.
Os pais devem, naturalmente, preocupar -se com tudo que diz respeito à vida dos filhos. Necessitam se inteirar para protegê-los da influência de ameaças como a Momo, do mesmo modo que de qualquer outro conteúdo nocivo. Crianças, assim como adolescentes, carecem ser constantemente monitorados, seja no YouTube, no Facebook, no WhatsApp ou na interação pelos jogos virtuais. De igual forma, há que se zelar por suas atividades offline na rua, na escola ou em contato com os amigos. As relações, em suma, devem ser pautadas por diálogo, disciplina, equilíbrio e respeito em qualquer ambiente.
Jovens não desenvolvem transtornos apenas a partir do contato com as mídias digitais – e isso vale para jogos violentos. Não há quaisquer pesquisas que referendem tal dado, embora haja diversos estudos que relacionem o excesso – de qualquer natureza – a efeitos colaterais negativos. Desde os primórdios, o homem vem sendo autor e vítima de crimes perpetrados por ódio, vaidade, ciúmes, orgulho e ambição. Passar o dia todo na frente da tela de um computador, tablet, smartphone, sem dúvida não é saudável. Tanto quanto o abuso de álcool, drogas e/ou outras substâncias que enfraquecem o vínculo familiar. Diálogo, carinho e respeito serão, desde sempre, o antídoto contra estes males.
#BOMFIMDESEMANA





Por Daniele Barizon

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