D. Pedro I: Imperador - Compositor

Sábado, 03 de Agosto de 2019.

D. Pedro I: Imperador - Compositor

Durante muitos anos, a pessoa do músico-compositor fora tratada em certo desprezo pela sociedade. Até o século XVIII, com algumas exceções, o músico ocupava lugar de pouco prestígio nas cortes europeias, devendo estar sempre à disposição do seu “senhor”, sujeitando-se aos caprichos da nobreza e do clero. Com o passar do tempo, grandes mudanças sociais promoveram a elevação dos músicos a uma categoria de profissionais qualificados da baixa burguesia, passando a imprimir certa liberdade e distinção a esses artistas. Em casos excepcionais, entretanto, membros das altas classes sociais e da nobreza encontravam-se intimamente ligados à música. Esse é o caso de nosso D. Pedro I.
Nascido em uma corte que cultivava a arte, D. Pedro I (1798-1834) estudou música desde sua juventude. Consta que teria aprendido a tocar nada menos que seis instrumentos: fagote, trombone, clarinete, violoncelo, flauta e piano. De sua sólida formação, nasceria um imperador-compositor que escreveria diversas peças ao longo de sua curta vida.
Como instrumentista, é sabido que D. Pedro I organizava concertos, tomando parte na orquestra, junto a outros músicos. Podemos atestar sua habilidade através das correspondências que a imperatriz D. Leopoldina enviara ao pai, o imperador Francisco I, da Áustria, dizendo: “Ele [D. Pedro I] toca viola e violoncelo, toca todos os instrumentos, tanto os de corda como os de sopro. Talento igual para a música e todos os estudos, como ele possui, ainda não tenho visto.” Como compositor, escrevera numerosas peças para banda, orquestra, grupos de câmara, canto e obras sacras. Sua composição mais importante é o Hino da Independência! Em outra correspondência, a imperatriz aponta os dotes do marido: “O meu marido é compositor também, faz-vos presente uma sinfonia e um Te Deum composto por ele. Na verdade são um pouco teatrais, o que é culpa de seu professor, mas o que posso vos assegurar é que ele próprio os compôs sem auxílio de ninguém.”
Em 1822, com a Proclamação da Independência, os deveres de chefe de estado e a combalida situação financeira da coroa impedem que D. Pedro I continue a se dedicar à música. Após regressar à Europa, passou breve período em Paris, onde conheceu o famoso compositor Gioacchino Rossini (1792-1868). Deste encontro, surgiu a oportunidade de apresentar uma de suas composições em um teatro parisiense. Para decepção do imperador, a recepção do público foi fria. D. Pedro I não foi gênio, tampouco músico profissional, mas um grande apaixonado. Como estadista deixou, contudo, uma herança musical notável.

Por Vinícius Pereira

B01 - 728x90