Da ganância corporativista e gestão pública incompetente ao calvário dos pobres: Esse é o Brasil que condenamos

Sábado, 21 de Julho de 2018.

Cresce no Congresso Nacional uma ambiciosa articulação para elevar o teto constitucional dos atuais R$ 33,7 mil para R$ 38 mil, indiferente ao sofrimento do trabalhador que sobrevive com míseros R$ 954. Sem menor preocupação com a vexatória situação das 22 mil obras públicas que continuam paralisadas ao redor do país. O motivo das paralisações é escandaloso, variando da falta dinheiro para finalizá-las, fraudes não investigadas, medições não executadas, mesmo que apenas pautados em projetos básicos, planejamento inadequado e toda sorte de falcatruas somente aceitáveis no Brasil
Muita desfaçatez, ousadia descarada, indiferença para com a desigualdade social vigente em nosso país. Nossa pirâmide da distribuição de riquezas é clara e mostra estabilidade na desigualdade social, evidenciando cada vez mais a distância entre ricos e pobres, e se consolida das mais injustas e absurdas entre as sociedades democráticas. Em nenhum país civilizado e decente a sociedade aceita e convive com tamanha desigualdade, cuja concentração da renda está localizada na ponta da pirâmide, em 1% da população que detém 50% da riqueza produzida pelos demais brasileiros. Privilegiados, mas insatisfeitos, anseiam abocanhar fatia maior, pautados numa legitimidade instituída pelos próprios, porém, sem qualquer fundamento ético, humanitário, mínimo de decência. Fingem não perceber o que se passa na atual caótica conjuntura dos serviços públicos de saúde, educação, transporte, mobilidade urbana e segurança pública disponibilizados aos cidadãos brasileiros da base da pirâmide, onde nada funciona ou falta de tudo, e realça dor e sofrimento dos mais pobres.
Na área de saúde da mulher, dados recentes da Sociedade Brasileira de Mastologia revelam que mais de 50% dos cerca de cinco mil municípios brasileiros com até 50 mil habitantes estão sem mamógrafos. As implicações negativas para a falta desse equipamento são inevitáveis, posto que pacientes fiquem sem diagnósticos e intervenções precoces de câncer de mama. A doença avança e os procedimentos terapêuticos tardios ficam mais onerosos, desgastantes, invasivos, sofríveis, frequentemente, tendendo à cuidados paliativos e com prognóstico de morte. Não fosse a corrupção, gastança, manutenção de mordomias e privilégios imorais, nenhuma mulher brasileira ficaria sem acesso à equipamento diagnóstico tão fundamental para redução da mortalidade feminina. A argumentação fajuta de que se trata de áreas distintas não se sustenta porque, na verdade, o patrimônio e recursos da União estão concentrados, havendo sim a possibilidade de destinação prioritária para atender às demandas da sociedade. Afinal, em regimes democráticos a prioridade está nas pessoas e não em políticas que favorecem aos poucos de sempre. Por que, no Brasil, as coisas são diferentes? Será que somos menos cidadãos que os de outros países democráticos?
No Rio Grande do Sul, chegou-se ao cúmulo a denúncia de que os exames de Papa Nicolau estavam sendo falsificados, ou analisados por amostragem, e não um a um, como seria obrigação do laboratório credenciado pela prefeitura de Pelotas. Na ânsia de reduzir custos e ainda manipular dados, apenas 5 em cada 500 exames eram analisados. Manipularam dados e com certeza expuseram inúmeras mulheres ao câncer de colo do útero, que se tratado em tempo, tem cura, mas,ao contrário, pode ser mortal. Curioso é que fatos graves e criminosos como este acontecem aos montes no Brasil, como o recente homicídio ocorrido na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, em cobertura residencial do médico que se anunciava nas redes sociais como “Dr. Bumbum”, cujo procedimento estético invasivo resultou na morte de paciente do Mato Grosso, sem que tenha sido efetuada prisão do pilantra com sua mãe e cúmplice, também médica com direitos profissionais cassados. Atestando não se tratar de distorção regional, mas descaramento disseminado pelo Brasil, o atual surto de sarampo, com cerca de 660 registros na região norte, não é suficientemente grave para que as autoridades policiais impeçam que facções criminosas do tráfico de drogas expulsem profissionais de saúde e suspendam a vacinação das pessoas.
Por outro lado, não bastaram os estragos provocados pela greve dos caminhoneiros para que nossos governantes enxerguem que o modal rodoviário não atende as demandas do transporte nesse país de dimensões continentais. A Ferrovia Transnordestina continua inacabada. Dos 1700 km projetados, apenas 600 km foram entregues até agora, mais de 10 anos após o início da construção. Com gastos de R$ 4 bilhões previstos inicialmente, 6,2 bilhões de reais. Já foram investidos e outros R$ 5,5 bilhões ainda devem ser necessários para a conclusão da obra. Diante desse caos cabe uso de conhecido jargão “Cadê o dinheiro que estava aqui? A resposta é sempre a mesma, o rato pegou! Então, que façamos a desratização!!!

Por Dr. Willian Machado

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