Da série: a culpa é da PM?

Sábado, 02 de Setembro de 2017.

Nessa semana fui procurado pela TV Rios Sul (filiada da Rede Globo na região) para uma entrevista sobre os furtos na cidade de Três Rios. Inicialmente os jornalistas estavam intrigados com o número de 371 furtos registrados de janeiro a julho de 2017, conforme mostra o site do Instituto de Segurança Pública (ISP), por entenderem ser um número bastante alto. Concitei-os a uma pesquisa mais aprofundada no próprio ISP e verificamos que no ano de 2016 o número de furtos também foi de 371 casos no mesmo período e que nos anos anteriores passavam de 400 casos. Ou seja, houve uma estabilidade de 2016 para 2017 e uma redução se considerarmos os últimos 5 anos para a surpresa dos jornalistas.

Havia ainda uma clara confusão sobre o que são furtos e o que esses números representam, pois muitos confundem os casos de furto com os roubos a pessoas (assaltos). Portanto, primeiramente resolvi esclarecer que existem 23 tipos de furtos que geram esse volume de registros e, os que mais ocorrem na cidade são os em estabelecimentos comerciais, os de documentos, seguidos de furtos em residências, estabelecimentos de ensino e outros. Desses 371 casos, apenas 19 foram registros de furto a pessoas, que são os casos em que um cidadão sente a falta de um objeto pessoal e não identificando como ocorreu a subtração do objeto e nem mesmo quem a fez, vai até a delegacia e registra o possível furto. Ou seja, nos casos de furto não ocorre qualquer tipo de violência ou grave ameaça como é o caso do roubo.

O que mais chamou a atenção dos jornalistas foi verificar no site que nos anos de 2016 ocorreram 24 furtos a pessoas no mesmo período (janeiro a julho) e que nos anos anteriores esses números eram maiores ainda. De forma que a pauta da matéria acabou sendo adaptada para informar que na verdade as ocorrências de furto têm diminuído.

Após todos os esclarecimentos passamos a conversar sobre o medo generalizado que parece ter contaminado toda a população das cidades interioranas, fato que não deveria acontecer uma vez que diversos índices criminais vêm sendo reduzidos paulatinamente, tais como os casos de violência doméstica e lesões corporais e etc. Daí, expliquei que a mídia em geral e a velocidade da difusão das notícias pelas redes sociais, sendo falsas ou verdadeiras, acabam por espalhar essa sensação de insegurança.

Quando no interior as pessoas tomam o costume de assistir programas jornalísticos sensacionalistas que enaltecem a violência diariamente é inevitável que fiquem muito preocupadas com a migração do crime para as cidades mais pacatas. Assim como, ocorre quando as pessoas repassam notícias falsas sobre criminosos e crimes que não ocorreram na nossa região.

Obviamente precisamos admitir que o crescimento populacional e urbano, aliado a um baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) favorece ao crescimento da criminalidade, principalmente quando há alto índice de desemprego e crises econômicas. Sabemos que esse é nosso cenário atual, o que demanda mais esforço das forças públicas de controle (polícias). Contudo, digo sempre que devemos investir e apostar na educação, no diálogo e no bom senso para que tenhamos irradiada a necessária PAZ para o nosso bem convívio.
Enfim, nada disso pode ser culpa da PM!!!!

Por Ten.Coronel PM Márcio Guimarães

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