De volta para o presente

Terça, 24 de Setembro de 2019.

De volta para o presente


Fernando de Oliveira foi o treinador que dirigiu o Fluminense, ontem, contra o Goiás. E os jogadores tricolores ficaram perdidos em campo porque Fernando representava o futuro. E Oliveira, o passado. Como a partida foi realizada em um domingo presente, de setembro, de 2019, perder de 3x0 ainda foi pouco. Estavam fora de sintonia. Fora do seu tempo.
Quando Digão atrasou uma bola para Muriel, tão recente as lições do futuro encontraram as preleções do passado, ele mal sabia se saia jogando com o pés, ou dava um chutão pra frente “a lá Osvaldo”.
No quadro branco do centro de treinamentos do Fluminense, mesmo borradas, as marcas do sistema inovador de Fernando Diniz, onde todos se deslocavam, tocavam a bola de primeira e não tinham posições fixas, ainda eram percebidas quando todo o elenco foi convidado, no meio do campeonato brasileiro do presente, a entrar no De Lorean, do Dr. Doc Brown. E voltar a atuar no passado.
De volta ao 4-3-3, variando de 4-4-2. Nada mais de ultrapassagens para um ponto futuro. Cada um na sua, ponta versus lateral, cabeça de área marcando o ponta-de-lança.
Sinceramente, desse jeito, os jogadores tricolores estariam mais à vontade em campo se fossem dirigidos por Steven Spielberg. Chegariam ao clube na pré-temporada e decorariam melhor seus papéis. Tipo, este ano vamos para a Copa Rio São Paulo de 1955. Vamos atuar na Era Osvaldo de Oliveira. Castilho, Píndaro e Pinheiro. Ano que vem, diria o diretor, vamos viajar para o Campeonato Brasileiro de 2025, na era Fernando Diniz. João Pedro, Alan e Pedro. E todos saberiam de cor os seus papéis em campo, sem improvisações, ao contrário do vexame exibido neste domingo, na faixa nobre do esporte, pelas telinhas de todo o país.
O problema todo é que o dono da Sony Pictures, Mário Bittencourt, associado a Columbia Pictures, de Celso Barros, resolveu filmar, em 2019, uma comédia em que o rock de Chuck Berry ainda cause surpresa na era do som do Mettalica. Que um skate cause admiração em crianças que não andam mais em carrinhos de rolimã, mas em Hoverboards.
O resultado de uma equipe fora do seu tempo, desatualizada, arcaica, antiquada, seja lá o que este time represente, é que todos desafinaram no Estádio Serra Dourada. E as salas de projeção já anunciam o trailer de um filme de terror que não vale a pena ver de novo: o Fluminense de volta à segunda divisão. E num futuro bem próximo.

Por José Roberto Lopes Padilha

B01 - 728x90