Desamor à Jato

Quarta, 04 de Setembro de 2019.

Desamor à Jato Fluminense FC (vice-campeão carioca de 1974): Félix, Toninho, Denilson, Silveira, Assis e Marco Antônio, Rubens Gálaxe, Gerson, Didi, Jair e Zé Roberto

Craques o Fluminense também fazia em casa. Xerém foi o primeiro ninho a criar em série este orgulho nacional. Tão fértil foram suas safras, que de seus laboratórios saíram Thiago Silva, Carlos Alberto, Diego Souza, Roger, Marcelo, entre tantos. Porém, antes de se tornarem obras raras de exportação, retribuíam em campo, com entregas e títulos, o amor à sua agremiação.
Quem os treinou tinha história para contar, como Assis, Gilson Gênio, Edvaldo, Rubens Galaxe, Marinho, Uchôa, Carlos Cesar, Carlinhos, crias da casa que repassavam as glórias de um clube tantas vezes campeão. Quando embarcaram, tinham o Fluminense no peito, na ponta da chuteira e prometiam voltar a defende-lo um dia por gratidão.
Há algum tempo, substituíram por lá os ex atletas que desde Píndaro, Altair, Telê, Peri e Pinheiro abasteciam corações com histórias vividas de quem defendeu uma camisa que fascinava por sua disciplina. Em seus lugares, assumiram trogloditas de plantão, que vivem a insuflar músculos, bíceps e tríplices em máquinas Apolos a gerar atletas, não mais jogadores de futebol, movidos a Whey Protein.
E muito cedo, sem sequer serem batizados pelo pó de arroz, embarcam em containeres frios para a Fiorentina sem dar uma só volta olímpica. Logo do clube que detém a Taça Olímpica de 1952.
Neste projeto Desamor à Jato, promessas são vendidas e mercadorias com prazos vencidas acolhidas. Como Digão, Airton, Bruno Silva e Nenê. Que são desorientados por Oliveiras, não mais comandados por quem, como Abel, aprendeu a amar as Laranjeiras.
No Desamor à Jato , mensagens do Intercept capturaram ligações afirmando que João Pedro será negociado. E que o Fred estará desembarcando de volta.
Melhor, então, Xerem trocar sua função social. Deixar de ser um ninho, que acolhe os recém nascidos, e se tornar a versão esportiva da Casa dos Artistas. Com todo o respeito, amparados e cuidados para suportar a solidão de serem visitados por seus torcedores apenas às terças e sextas.
Com publico reduzido e em cômodos onde se apresentam, para arquibancadas e corações vazios, os clubes da segunda divisão.

Por José Roberto Lopes Padilha

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