Desigualdade gera violência

Quarta, 12 de Setembro de 2018.

Durante os dias 3 e 7 de setembro, vivemos aqui, na paróquia de São José Operário, momentos de muitas reflexões, aprofundamentos e debates, durante a 6ª SEMANA DA CIDADANIA, com o tema “Desigualdade Gera Violência: Basta de Priviégio”, organizada pelo Movimento Fé e Política einspirada na exortação apostólica Evangeliigaudium, em que o Papa Francisco afirma:

“Enquanto não se eliminarem a exclusão e a desigualdade social, na sociedade e entre vários povos, será impossível erradicar a violência”.

Foram noites de muitas participações, em que um público constante e diversificado participou ativamente, trazendo para cada painel, o sucesso do evento. Em sintonia com O Grito dos Excluídos, o debate se deu a partir de vários subtemas, em que, em cada dia, especialistas convidados nos ajudaram nas reflexões.

No dia 3, tivemos um cine debate com a apresentação do filme Dedo na Ferida de Silvio Tendler, que abordou a concentração de poder econômico nas mãos de muito poucos, o lucro crescente dos bancos, num contexto em que a desigualdade social aumenta cada vez mais. Quem nos ajudou a pensar esse tema foi o jovem economista Davi Deccache, do Rio de Janeiro, que, com clareza e profundidade,demonstrou os mecanismos dessa concentração de renda dentro de um espírito que nega os valores cristãos que é a não solidariedade.

No dia 4, tivemos o Painel do tema “Desigualdade gera violência”, com os professores da Faculdade de Direito da UFRRJ Rulian Emmerick e Marcela Siqueira Miguens e com a mediação do jovem Leandro Galdino, membro da Coordenação Nacional da PJ. Nesta noite, conseguimos perceber com o professor Rulian, que é especialista e pesquisador da área de Direitos Humanos, que cada vez mais, boa parte da população fica excluída do acesso aos principais direitos universais, emais: transformou-se em refém das estruturas que geram a violência no nosso cotidiano. E com a professora Marcela, especialista e pesquisadora na área do Direito Penal, pudemos ver que o Brasil está em terceiro lugar em número de pessoas encarceradas e que o perfil das pessoas que vivem nas prisões é jovem, homem, negro, com pouco ensino e detido de forma provisória por tráfico, roubo ou furto. E concluímos que o grande desafio é repensar o nosso papel frente a essa realidade, desde o sistema penitenciário até a desigualdade como causadora e resultado dela.

No dia 5, foi a vez do Painel com o tema “Escola Cidadã e sem Mordaça” em que tivemos como debatedores os professores Alexandre Rodrigues, sociólogo e historiador da FAETERJ de Três Rios e Professor Dalton José Alves, filósofo da UNIRIO do Rio de Janeiro e a mediação da mesa esteve sobre a responsabilidade da professora de Literatura e membro do Movimento Fé e Política Ana Maria Abrahão. O professor Dalton fez uma análise articulando os três conceitos que estão por trás da temática do painel: Educação, cidadania e liberdade e como o “Projeto Escola sem Partido” fere a principal essência da educação, que é o diálogo com a diversidade, através da liberdade no processo ensino-aprendizagem. O professor Alexandre fez um resgate do educador Paulo Freire, nesses 50 anos da sua principal obra que é o livro Pedagogia do Oprimido, aocriticar as reformas conservadoras que enxergam os alunos como receptáculos vazios a serem preenchidos e como pessoas acríticas, sem autonomia para escolherem entre o que eles acham certo ou errado e, também, com a reforma do ensino médio , em que estaremos, cada vez mais, aprofundando o dualismo na educação, escolas para as classes médias e altas e outra para as classes populares.

No dia 6, o painel foi sobre o tema “Desigualdade gera sociedade desumana” coma participação da professora Inês Pandeló, membro da equipe de Fé e Política do Sul Fluminense e com o economista José Luiz Fevereiro, do Rio de Janeiro, e como mediador, tivemos o jovem líder e animador das nossas comunidades e coordenador diocesano da Pastoral Afro Darlei Alves. O debate foi muito rico e fechou com chave de ouro os nossos painéis.

Os dois debatedores trouxeram, com muita competência, e clareza a análise da nossa realidade social, política e econômicaque estamos vivendo na nossa atualidade, com a constatação de que, a partir de 2015, vemos crescer e se fortalecer o projeto neoliberal, em que a perda de direitos sociais e trabalhistas, a tercerização, a perda dos direitos sobre o pré-sal, a limitação de investimento em educação, saúde, segurança e o aumento do desemprego nos torna um país cada vez mais enfraquecido, diante das consequências do aumento da violência e dentro do aprofundamento da pobreza em nosso meio, em que voltamos a ser incluídos até mesmo no mapa da fome da Organização das Nações Unidas, ONU.

Para fecharmos a nossa semana, um grupo de nossa paróquia foi participar no Grito dos Excluídos, em Aparecida do Norte, juntamente com pessoas de todo o Brasil.Foram expressar as suas angústias e sua indignação com a violência e toda forma de injustiça que o povo está sofrendo, diante de políticas que não levam em conta os interesses dos trabalhadores, mas apenas o interesse do capital.

Não podemos deixar de agradecer a todos que participaram na organização, mobilização e divulgação da Semana, principalmente às nossas comunidades que se revezaram na acolhida e aos membros do Movimento Fé e Política, soba coordenação do Eduardo Pires e assessoria de Gilberto Simplicio, e que foram os verdadeiros protagonistas, desde a elaboração do evento até a sua realização.

Que o Deus da vida e da História abençoe a todos, na certeza de termos realizado essa Semana da Cidadania, no sentido de sermos cada vez mais Sal e Luz do Mundo.

Por Padre Medoro

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