Diabetes - Efeitos na Retina

Quarta, 13 de Dezembro de 2017.


Este assunto é uma homenagem a um grande amigo: "Dr. Valdir Donaire".
No ano de 2009, procurei o Dr. Valdir devido a dificuldade na acuidade de minha visão, e ele me encaminhou para fazer alguns exames de imagem no meu globo ocular no Instituto de Oftalmologia do Rio de Janeiro, e, graças a Deus tudo ocorreu as mil maravilhas, foi só necessário trocar as lentes do meu óculos e passei a enxergar melhor do que a águia.
Meus sinceros agradecimentos.
Estima-se que 8% da população mundial possui Diabetes Mellitus (DM). No entanto, cerca de 50% dos indivíduos não sabem que desenvolveram a doença DM.
Estudos divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) alertam para o crescimento do índice do DM no Brasil até 2030. Atualmente, a incidência, que figura entre as cinco maiores causas de mortalidade, fez parte da vida de 21 milhões de pessoas, segundo pesquisa apresentada no XI Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), em novembro de 2009.
O diabetes é caracterizado pela deficiência total ou parcial da produção de insulina, hormônio fabricado pelo pâncreas nas células beta das ilhotas de Langerhans, regulador do nível de açúcar no sangue. O distúrbio afeta o metabolismo da glicose, das proteínas e das gorduras. Quando9 não é tratada adequadamente, o problema pode comprometer vários órgãos e causar complicações à saúde. "A incidência, nos EUA, é de 75 e, provavelmente, esta proporção é similar no Brasil, onde a maioria dos casos não é diagnosticada a tempo. A proporção dos casos aumenta conforme o avanço da idade. Chegando a 10% das incidências aos 60 anos e a 20% após os 80 anos.
Cerca de 20% dos diabéticos desconhecem a relação entre a doença e a visão. quando o diabetes não é mantido sob controle, há risco de o distúrbio atingir o globo ocular e agravar-se para o quadro de cegueira. Os portadores de diabetes têm 25% de chances a mais de perder a visão do que as pessoas que não desenvolveram a doença.
Dificuldade de manter o foco e danos na retina - camada fina sensível à luz, localizada no interior do globo ocular - são alguns dos principais problemas oftalmológicos gerados pela doença DM.
quando há efeitos que levam ao comprometimento do tecido ocular e dos vasos sanguíneos, os casos podem ser diagnosticados como retinopatia diabética. "Para os oftalmologistas, a manifestação mais comum do diabetes é a Retinopatia Diabética, que representa a maior causa de perda visual entre os pacientes adultos".
"A Retinopatia Diabética (RD) pode ser entendida como o conjunto de alterações que ocorrem na retina dos pacientes com diabetes, em decorrência de mudanças estruturais nas paredes dos vasos que nutrem a região".
A princípio, o diabético não nota nenhuma mudança na visão. com o passar dos anos, a alteração danifica o sistema circulatório da retina e torna-se mais grave. O problema acomete os vasos sanguíneos causando evasão do sangue, surgimento de edema (inchação) no globo ocular, além de distorcer as imagens enviadas da retina ao cérebro.
De acordo com informações do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 75% dos diabéticos com mais de 20 anos de diagnóstico recebido são portadores de retinopatia diabética.
"Apresentam mais riscos de desenvolver alterações oculares os pacientes com maior tempo de diagnóstico do diabetes e aqueles sem controle da glicemia (nível de glicose no sangue).
A doença é mais comum nas mulheres na faixa etária de 30 a 64 anos, sendo mais prevalente nos diabéticos insulinodependente (DID) do que nos diabéticos não insulinos dependentes (DNID).
os fatores de risco estão relacionados aos aspectos congênitos ou hereditários ou às características individuais, como exposição ambiental, hábitos, agregados as condições de saúde do paciente. Dentre os aspectos mais conhecidos, a duração do diabetes é o mais citado e importante. Após o diagnóstico de uma década de doença, o índice de desenvolver a RD é de 50%, depois de 30 anos é de 90%.
O controle metabólico também está associado aos fatores de risco. Porém, a manutenção das taxas de açúcar no sangue pode retardar o surgimento e progressão da Retinopatia diabética (RD) por alguns anos. Aspectos que podem alterar o prognóstico são: gravidez - a mulher pode desenvolver desequilíbrio hídrico, anemia, doença renal, hipertensão arterial - quando é mal controlada afeta significativamente a RD - e dislipidemia (colesteróis).
"Aos portadores de retinopatia diabética, se faz necessário a conscientização do quanto os aumentos súbitos e muitas vezes exagerados dos níveis glicêmicos, provindos não só de características próprias da doença em cada caso individual, mas também a fatores emocionais - estresse, atritos e raivas que podem levar ao rompimento de vasos sanguíneos causando hemorragias intraoculares".
A retinopatia diabética (RD) pode ser dividida em três fases, sendo a primeira denominada retinopatia não-proliferativa ou retinopatia de fundo. Neste caso de estágio acomete pequenas dilatações dos vasos sanguíneos da retina, o que causa acúmulo de edema (inchação) retiniano (líquido).
Na segunda fase - retinopatia pré-proliferativa - os sintomas da doença começam avançar e há o bloqueio das vias que dão acesso ao fluxo de sangue à retina. Este período é caracterizado pela formação de depósitos na retina (exsudatos algodonosos). Se a mácula - área no centro da retina responsável pela visão discriminativa ou em detalhe - não estiver afetada, a RD não causa a baixa da visão neste estágio.
A última fase chama-se retinopatia proliferativa. É a etapa mais aguda da incidência. a retina dá sinais solicitando melhor nutrição dos vasos sanguíneos, o que causa crescimento dos filamentos, tornando-os frágeis e anormais (neovasos). Geralmente há extensão dos neovasos ao longo da retina, acompanhados de tecido cicatricial, ocasionando o deslocamento da retina e, consequentemente a cegueira.
"A retinopatia diabética proliferativa acomete 10% população diabética. Diabético tipo 1 (DMID) tem um risco particular, com a incidência de cerca de 60%. Os fatores de proteção incluem doenças oclusivas da carótida, separação do vítreo posterior, alta miopia e atrofia óptica".
Na fase Retinopatia proliferativa, a RD pode causar a perda da visão por consequência de alguns fatores, como hemorragia vítrea, deslocamento da retina e glaucoma neovascular.
No primeiro caso (hemorragia vítrea), o vítreo-fluído transparente que preenche quase todo o espaço intra-ocular - fica comprometido em decorrência dos vazamentos gerados a partir dos neovasos.
o deslocamento da retina dar-se através da contração do tecido cicatricial que se estende ao longo dos neovasos. Quando ocorrem problemas na mácula ou nas extremidades envolvendo a retina, a fina camada pode se descolar, incidências associadas ao glaucoma (pressão ocular) neovascular são caracterizadas pelo fechamento dos vasos da retina. Estes dão origem a filamentos sanguíneos anormais na íris (cor dos olhos). Com o aumento da pressão intraocular, há obstrução do fluxo do fluído que circula na área interna do olho, formando o glaucoma neovascular.
A Retinopatia diabética (RD) é uma doença insidiosa, de poucos sintomas e varia de acordo com o estágio ou grau de evolução do diabetes. Os principais sinais alertados, e mais comuns, são; visão borrada - consequências dos níveis de açúcar no sangue, moscas volantes e flash, um sintoma que aparece de forma tardia, já com alterações intensas no olho, é a perda de visão.
A retinopatia diabética é diagnosticada através de exames periódicos da visão por um especialista oftalmologista e temos um profissional excelente em Três Rios e cito um bem conceituado, o Dr. Valdir Donaire, que analisa o fundo do olho utilizando instrumento específico denominado oftalmoscópio. "Atualmente, a detecção da retinopatia diabética pode ser realizada por oftalmoscopia direta, oftalmoscopia indireta, biomicroscopia de fundo ou retinografia. Mas, a oftalmoscopia direta, mesmo com dilatação pupilar, está descartada pelo seu baixo poder diagnóstico".
Outra forma de diagnosticar a RD é através de uma avaliação denominada de angiografia com fluoresceína. A finalidade do exame é fazer uma rápida sequência de imagens do interior dos olhos. O médico injeta um corante fluoresceína (fluorescente) em uma veia localizada na articulação do cotovelo - veia antecubital - e dar-se início a uma série de fotos. O tratamento da RD continua sobre o acompanhamento do seu oftalmologista, no meu caso, embora não sendo diabético, cuido dos meus olhos através do meu amigo e colega, Dr. Valdir Donaire.

Por Dr. Eneas Zandomênico

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