Digão

Terça, 19 de Fevereiro de 2019.

Digão

Desde os infantis que aquele garoto, alto e forte, impõe seu futebol pela força e impulsão. À sua frente, havia também um lourinho, rápido e habilidoso, com o mesmo nome de batismo, e o chamaram de Diguinho. Este, pelo excesso de meio-campistas e uma correria insana, "marcioaraújiana", que se instalou no setor, desapareceu. Mas Digão, pela ausência de qualidade no setor que se foi para Paris com Thiago Silva, e se aposentou por aqui com o Juan, e ainda dá empregos ao Henrique e ao Rodolfo, continua em cena. E estava se virando aos trancos e barrancos, renovando seus contratos, até que chegou para lhe comandar o Fernando Diniz.
O maior seguidor de Guardiola, no lugar de ser o coordenador das divisões de base, em Xerém, e no Ensino Fundamental introduzir o Tic-Tac, insiste, pelo quinto clube que dirige, em mudar a educação esportiva de jogadores já aprovados no vestibular para seguir a carreira de atleta profissional. Em alguns casos, a falta de educação no trato com a bola é irreversível. Só o EJA seria capaz de reverter. E tratou de transformar, da noite para o dia, o Digão em Diguinho.
Ontem, na decisão, e na quarta-feira passada, tentava transformar cada chutão que sabia dar em saídas de bola “a lá Piquet” que não sabe dar, deixando cada de um nós, tricolores, com o coração nas mãos. Digão, saindo jogando, é tão perigosos quando errar à noite um acesso à Linha Vermelha. E tão irresponsável quando dar a Alexandre Frota um mandato de Deputado Federal.
Perder do Vasco nunca foi e será bom. Mas se ganhássemos a Taça Guanabara, iriam exaltar em prosa e verso uma concepção de jogo respeitada, e um treinador promissor, jogar seus méritos lá no doutorado, quando ambos precisam se apresentar na primeira série. E deixar, no segundo turno, Digão acertar o acesso à Linha Vermelha com seus chutões, nos deixando retornar à Três Rios seguros pela Washington Luiz com renovadas esperanças de vencer o segundo turno.

Por José Roberto Lopes Padilha

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