Do sucateamento ao fechamento de unidades de ensino da Rede Estadual do Rio de Janeiro

Sábado, 21 de Abril de 2018.

Muito preocupante para toda a sociedade o crescente fechamento de escolas da Rede de Ensino do Estado do Rio de Janeiro, vista com imprudência pelos dois últimos governadores que ocuparam o Palácio Guanabara. Indiferença imprudente que se reflete nas cidades menores, médias e até nas grandes, inclusive, maioria da Região Metropolitana, através do cerceamento de oportunidades de melhoria da vida das pessoas, cujo caminho mais promissor se pode vislumbrar no direito à educação para jovens e adultos das camadas mais pobres da população. Particularmente, aqueles que, devido a necessidade financeira das famílias, começam a trabalhar antes de concluído ensino fundamental e médio, consolidando a cada vez mais cruel desigualdade social brasileira.
São irrefutáveis os dados do Censo Escolar divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), entre 2010 e 2017 – período que abrange as gestões de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, ambos do PMDB – quando foram fechadas pelo estado 231 escolas públicas. Mais objetivamente falando, uma impressionante redução de 95 mil matrículas ofertadas em todo o Estado do Rio de Janeiro. Como nossa sociedade consente tamanha crueldade para com milhares de jovens e adultos, atores sociais do elenco humano no presente e futuro da população fluminense? Sem acesso à educação formal escolar o que se poderá esperar da população ante às inevitáveis transformações do mundo decorrentes das mudanças da tecnologia e inovação? Que tipo de pretexto o governador utiliza para negar oportunidades iguais de acesso às profissões de nível superior, aos cargos e funções estratégicas e gerenciais das empresas privadas e da administração pública, quando implementa política de fechamento de escolas?
O que o governador do Rio, com apoio da sua base na Assembleia Legislativa (ALERJ), está fazendo é um crime contra a escola pública e contra, principalmente, os jovens menos favorecidos. Fecham turmas, turnos, segmentos e escolas, prejudicando jovens e adultos da população mais pobre. Basta que observemos a sistemática das nossas escolas estaduais de Três Rios. Maior parte das que ainda não fecharam, apenas oferecem um turno, matutino ou vespertino, não obstante a demanda reprimida pela omissão do Estado e indiferença dos professores que nelas atuam. Acomodação docente tão grave quanto os conchavos firmados entre o governador e seu grupo que atua na ALERJ, cujos filhos frequentam escolas da rede privada.
Se para seus filhos, netos e toda parentada a escola pública não serve, ao menos deveriam, por exigência ética do cargo eletivo que ocupam, zelar pela qualidade do ensino que filhos dos seus eleitores recebem nas escolas públicas. Envaidecidos pela ilusória distância que os separam da classe menos favorecida, estonteiam a função e capacidade transformadora de vidas proporcionada pela educação, como instrumento essencial para à evolução da sociedade, tal qual a alimentação e o ar que respiramos o são para manutenção das nossas funções corporais.
Com efeito, o sucateamento e desmonte das escolas estaduais atingiu limite extremo, é preciso impedir que avance mais e destrua o que restou. Nesse momento, precisamos nos unir para demonstrar nossa indignação, fazer ver que discordamos dessa perversa política que pretende aumentar a desigualdade social no Estado do Rio de Janeiro. Comecemos por sensibilizar professores e pessoal técnico administrativo das escolas estaduais, propondo abertura de classes regulares para estudantes do curso médio em período noturno, o que iria requerer a contratação de mais profissionais, mesmo cientes que o governo estadual vai alegar falta de recursos para novas contratações. Uma questão estratégica para impedir que bilhões de novos recursos oriundos da exploração de petróleo, anunciados pela Petrobras, sejam drenados pelos ralos da corrupção. Enquanto tal iniciativa permanecer inviável do ponto de vista operacional, a direção das escolas estaduais deveria se abrir para representações oficiais das Associações de Moradores dos bairros, mostrando-se disponível a colaborar através da disponibilização responsável, consciente e cidadã de suas instalações para o que melhor lhes possam atender.

Por Dr. Willian Machado

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