Dois toques na buzina

Sábado, 09 de Dezembro de 2017.



Certa vez uma senhora comentava com uma amiga na avenida Condessa do Rio Novo, em Três rios, sobre vários assuntos, Mas, teve um que me chamou atenção, foi quando uma delas disse que havia colocado o carro na revisão e que só ficaria pronto na tarde do dia seguinte e, completou: “sinto muita falta do meu carro. Acho que já estou desacostumada a andar à pé, disse sorrindo”. Foi aí que que a outra falou: ”Quem só anda de carro, não é vista por todos, não cumprimenta e abraça os amigos e nem coloca o papo em dia “
Confesso que a partir daquele momento, fiqueI meditando sobre tal observação, a qual, poderia ser, aos ouvidos de muita gente, uma coisa banal, mas, do ponto de vista filosófico mostra uma boa dose de sabedoria contida naquelas palavras.
De vez em quando vejo alguém cruzando na calçada e lá vem aquela surrada pergunta: “Faz tempo que não te vejo”. Aí, me vem à lembrança o caso da tal senhora, citada no inicio desta crônica. Vejam vocês a falta de comunicação de tanta gente, pelo fato de só saírem às ruas de carro, cumprimentando as pessoas por aqueles dois toques na buzina, o que na maioria das vezes sequer são notados e, no dia seguinte, a amiga motorista não deixa por menos e faz a cobrança: “Ontem quando você passava na Praça São Sebastião, dei duas buzinadas e você nem olhou”. De maneira muito educada ela se desculpa:” “eu devia estar muito apressada, querida”. Se despedem formulando aquele tradicional convite: “aparece lá em casa, não some não.” Pode deixar, assim que puder eu te ligo para a gente colocar o papo em dia. “Se por acaso não atender, liga mais tarde, pode ser que eu tenha saído para levar o carro para lavar. Ou, de repente, passo em frente a sua casa e dou dois toques na buzina” Não, pelo amor de Deus, buzinada não”
Sempre o carro.

Por Carlos Letra

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