E o bem se deu mal

Sexta, 22 de Fevereiro de 2019.

E o bem se deu mal

Quem inventou o bem foi Jesus Cristo. Antes de sua aparição, era só guerra, luta por territórios e traições por todos os castelos. Entre Barrabás e ele, o povo não teve a menor dúvida e vocês sabem aonde o bem foi parar. Tinha apenas 33 anos quando descobriram suas intenções. E o mal sempre se deu bem em nossa história.
Seus poucos seguidores, Gandhi, Buda e Madre Teresa de Calcutá também passaram “o que o diabo amassou em vida”. Precisaram morrer para serem reconhecidos, quanto a segui-los....Também que receita nos deram para alcançar a perfeição! Abrir mão dos bens materiais, do ar condicionado e de uma viagem a Cabo Frio com tudo pago. Calçar as sandálias da hu mildade no lugar de um sapato confort line da Mr. Cat, ou comprar o ultimo lançamento da Melissa. E quem sairia à noite para distribuir sopas no lugar de sentar num barzinho e tomar um caldo verde?
Outro dia vi um cidadão do bem passar à nossa frente. Trata-se de um professor exemplar, pai de família e dono de um gol 2012. O bem é tão discreto que só eu, por ter sido seu aluno, o notei. Os demais continuaram a tomar seu açaí e só levantaram a cabeça quando passou um Land Rover. Daí exclamaram: quando eu crescer quero ser igual aquele dali. Vidros fechados, poderia ser até o Escadinha, o Eduardo Cunha, mas era consenso que era o exemplo desfilado que precisava ser seguido. O cidadão que tinha se dado bem na vida.
Paro nas bancas e vejo alguns amigos colados às notícias. Estavam em frente às tragédias e viravam as costas para a que anunciava o aumento do PIB. Mais tarde era o Datena que saí à caça das más noticias, do helicóptero que caíra na Marginal Tietê, um assassinato na Via Dutra, um assalto no Morumbi. E ele faz isto há anos porque do nosso lado da telinha mudaríamos de canal se o comandante Hamilton pousasse em um asilo. E filmasse a doação. E se é o mal que dá Ibope, porque voariam atrás da notícia do bem?
De repente um corre corre aqui na rua. Era o SAMU encostando e juntou um bolinho. Todos queriam saciar seus instintos mais prementes enquanto na casa ao lado a dona Elvira, coitada, estava doente há alguns dias e ninguém se juntou para lhe conceder uma só visita. Ligo a TV e na novela lá vem traição em 98 dos 100 capítulos, o bem vence no final mas o mau exemplo, com maior posse de bola, já se incorporou no sofá, nas poltronas, nos atos cotidianos da gente. E ao final do dia, no BBB, vai para o paredão o mais honesto, quietinho e sem graça que não traiu ninguém naquela casa.
Nosso Senador da República é Flávio Bolsonaro e não o professor Chico Alencar. Fomos nós que escolhemos. Depois vamos para a missa das 18h00 rezar, para o Centro Espírita orar, e ficamos com um olho no Padre, outro no Pastor. E com os instintos do mal, uma vergonha sem tamanho, à flor da pele, nos jogamos na cama a sonhar com qual bíblia mudaremos um dia o enredo desta triste história.

Por José Roberto Lopes Padilha

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