Eleições e internet

Sem precedentes na história: assim está sendo definido o uso da internet nestas eleições.

Sábado, 27 de Outubro de 2018.

Considerado o pleito cujas mídias digitais mais influenciaram até então, a disputa presidencial já está marcada por ódios, polêmicas e intervenção judicial, além de outras peculiaridades.
A máquina de produção de notícias falsas para desestabilizar a candidatura de Fernando Haddad, conforme denúncia da Folha de São Paulo, por exemplo, movimentou mais de 12 milhões de reais, patrocinada por empresários de diversos segmentos - o que, se for verdade, fere a lei eleitoral e deve receber punição adequada.
A utilização da rede em campanhas presidenciais iniciou-se de forma tímida no Brasil em 1998, por Fernando Henrique Cardoso.Nesse período, entretanto, pouquíssimos de nós tinha acesso à novidade tecnológica, ainda cara e pouco difundida.
Em 2002 e 2006 melhorou um pouco, mas a legislação (que não era específica), limitava bastante a atuação dos partidos.
Foi a partir de Barack Obama nos EUA, em 2008, que potencializou-se o uso dos SNSs (social network sites) no marketing eleitoral. Em 2010, ensaiou-se uma melhora por aqui. Com um terço de brasileiros conectados à web, os partidos serviram-se das ferramentas disponíveis, mas ainda aquém de suas possibilidades.
Em 2014, finalmente, as equipes de comunicação perceberam o caminho que precisava ser trilhado. Pela primeira vez, a internet competia de igual para igual com outras mídias, como a TV e o rádio.
Em 2018, porém, é que deu-se o boom: o espaço online, de fato, passa a suplantar o ambiente offline. Cedo para dizer que o resultado das eleições e os movimentos históricos que ocorreram desta feita foram motivados principalmente pela web?
A resposta é não. Ainda que falte um estudo mais apurado, com base em metodologias de pesquisa, não há como negar a singularidade do que estamos vivendo. Que isso é real, não temos dúvida. Resta -nos, agora, aprender a lidar com essa ferramenta democrática - que dá voz a todos - de maneira ética, legal, responsável e verdadeiramente igualitária.
#BOMFIMDESEMANA

Por Daniele Barizon

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