Exageros de carnaval e intervenção federal: remédio amargo, mas necessário

Sábado, 17 de Fevereiro de 2018.

Como em quaisquer sociedades nas quais as instituições percam controle sobre segurança pública, saúde e educação, medidas de intervenção das instâncias superiores se fazem imprescindíveis, ao menos para que as esferas de gestão pública sejam avaliadas, ajustadas, disciplinadas, de forma a assegurar necessária atmosfera de equilíbrio. Foi o que ocorreu no governo Estado do Rio de Janeiro, tendo em vista os recentes acontecimentos envolvendo roubos, assaltos, arrastões, espancamentos e mortes, agravados no carnaval. A se manter no ritmo dos últimos dias, semanas, meses, a sociedade dava sinais de exaustão, sem acreditar que alguma mudança para melhor pudesse surgir das contaminadas estruturas do primeiro escalão de gestão estadual e das polícias civil e militar, do Estado do Rio de Janeiro. Amedrontados, muitos cariocas optaram por ficar enclausurados em casa, quando o sol se punha, assistindo abismados através das janelas dos apartamentos, bandos de marginais promovendo arrastões, sem qualquer presença policial inibidora dos vandalismos. Haviam também os mais ousados, que se deixavam levar pela atmosfera de euforia própria da ocasião, permanecendo nas ruas até mais tarde, em pequenos ou grandes grupos de amigos/conhecidos confiáveis, seguindo os blocos de animação. Nada mais justo para quem gosta, trabalha o ano todo, paga impostos exorbitantes, espera o carnaval contando o tempo com grandes expectativas, para, enfim, dar margem ao sentido de liberdade de viver sonhados momentos de felicidade. Entre milhares de bem-intencionados foliões chama sempre atenção minoria que se aproveita dessas manifestações populares para roubar, extorquir, ferir, matar inocentes e indefesos conterrâneos e turistas, que deixaram suas longínquas casas, noutras partes do Brasil ou de outros países, trazendo dinheiro para gastar e consumir na cidade, que tanto sofre efeitos da redução de oportunidades de emprego e arrecadação. Não há o que faça com que entendam que o turismo é uma indústria, fonte de arrecadação capaz de transformar realidades sociais? Vocação inata da Cidade do Rio de Janeiro, pelas maravilhas naturais nela tão exuberantes, grandiosas, de raras similaridades. A propósito, tesouro muito bem aproveitado e preservado com respeito, consciência cidadã em cidades como Paris, Roma, Barcelona, Nova York etc, mesmo dispondo de menores encantos naturais investem pesado em outras atrações, como teatros, museus, parques públicos, mobilidade urbana de excelente qualidade, procurando a cada ano atrair mais quem se disponha a conhecer seus potenciais turísticos. Presenciamos cenas de barbárie que nos causam pesadelos, perplexos de que ainda existam seres humanos capazes de praticá-las. Assim como cenas de absoluto desrespeito aos transeuntes, mostrando pessoas a luz do dia em pleno ato sexual público, como animais irracionais, sem qualquer inibição, ao contrário, procurando melhor foco nas imagens animalescas de vulgar promiscuidade. Atos extremos de vulgaridade e desrespeito ao outro. Ninguém merece ser surpreendido com tamanha baixaria. Chegou-se ao fim de linha na escala da moralidade e comportamento ético. Se nos declaramos Nação Cristã, onde se perderam os valores de criação da família Cristã? Se você não se respeita, o que será capaz de fazer com seu semelhante? Atrocidades, por certo! Nossa desordem social chegou ao cúmulo. Bem-vinda intervenção. Talvez nova experiência de viver sob regras mais rígidas de comportamento social seja mesmo necessária para ajustar conduta dos desviantes, só assim as pessoas aprendem que a vida em sociedade requer que todos devam compreender que nosso direito individual termina quando começa o do outro, ao seu lado. Disciplina é fundamental tanto em casa, quanto no trabalho, na escola, nas atividades de lazer, sem ela todos seremos reprovados nas exames e provas da vida.


Por Dr. Willian Machado

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