Fabio Assunção. E se fosse seu filho?

Sábado, 01 de Julho de 2017.

Fabio Assunção. E se fosse seu filho?

Não sei explicar ao certo o que senti quando vi as imagens do então ser humano, cidadão, ator por profissão e conseqüentemente “famoso” ator “global” Fabio Assunção. O estado dele totalmente alucinado e entorpecido seja por qual química for (álcool ou outra droga) visivelmente fora do seu estado normal. Chama-me a atenção ver seres humanos sóbrios em plena consciência ou pelo menos esperávamos que estivessem zombando, insultando, xingando e hostilizando o ator. Deixo claro que nada tira do mesmo as punições que seriam cabíveis para qualquer ato infracionario por ele cometido. O que quero enfatizar é que ninguém que ali estava se preocupou em oferecer ajuda ou preservar a integridade daquele que precisava de ajuda. A preocupação era apenas em filmar e ridicularizar o cidadão. O texto abaixo eu escrevi no início do ano passado. Acho perfeito replica-lo aqui neste momento. Segue texto: Em um futuro próximo, o marginal, de lado, esquecido e subjugado, vai ganhar um super-poder, o poder da invisibilidade. Em um futuro próximo, a cidade será feita, pensada e construída não para os humanos, e sim para que os carros possam circular livremente por aí. As pessoas serão somente uma espécie de parasita que farão o carro se movimentar de um lado para o outro, pra lá e pra cá. Talvez, numa época muito distante, os carros escravizem seres humanos em fábricas, fazendo com que eles se reproduzam num ritmo mais acelerado que as próprias pessoas. Um dia, numa época utópica, uma ferramenta de ferro, que serve pra levar pessoas mais rápidas para suas prisões, (e esmaga-las de vez em quando, em acidentes) será algo tão natural que: Os carros dormirão nos prédios e as pessoas estarão estacionadas nas ruas e calçadas. Ainda bem, ainda bem que isso não está acontecendo, hoje, nesse exato momento. (Texto: Ibu Junior Martins Pirajdu) Este texto vai de encontro com o que eu tenho pensado e visto pelos últimos tempos. Vou falar pelo que tem acontecido em nossa cidade, onde moro e vivo diariamente. Com o crescimento dos vícios e drogas, sejam as drogas lícitas e as ilícitas também têm crescido o número de pessoas que estão saindo de suas casas e famílias por conta dos transtornos causados pela sua dependência nestas drogas. As famílias não conseguem viver e nem sequer suportar o convívio, com isso não tento como ajudar e o mesmo, não aceita a ajuda oferecida, acaba sendo colocado pra fora de casa, ou ele mesmo chega a tomar esta decisão por sua vontade própria. Se tornando mais um morador de rua. Outro perfil de morador de rua que tem aumentado em nossa cidade é aquele que chamamos de trecheiro. Ele pode entrar em nossa cidade sem a conhecer, ou tem outros que já vêm com informações de que Três Rios é uma cidade em crescimento e que há a oportunidade de galgar em meio à sociedade, e que a cidade dará a ele a oportunidade de mendigar, esmolar e acolhimento. Devo ressaltar aqui que nossa cidade não dispõe até o momento de um abrigo ou um albergue para acolher estes moradores de rua. O que tem me preocupado é a forma como estão tratando ou dialogando referente a este assunto. Devemos lembrar que se trata de seres humanos, pessoas que por diversas situações que a vida proporcionou, chegaram nesta situação. Poucos passam por estas pessoas e oferecem uma mão amiga ou uma oportunidade de mudar de vida. Alguns ainda oferecem um resto de comida ou uma sobra de lanche. Poucos param e dão atenção, uma conversa ou um aperto de mão. Certo é que como disse o texto acima de Ibu, eles se tornam invisíveis. Passar por uma praça e ver um destes sentados e criando um pouco de algazarra, não é motivo de querer transformá-los em bandidos ou desalmados. Estão sujos e maltrapilhos sim, porém suas sujeiras visíveis são bem menos ofensivas que as sujeiras de uma sociedade burguesa e cheia de mazelas, atitudes imorais e corruptas. Uma sociedade que tem em sua característica viver sem se preocupar com o próximo. Lembremos que ali poderia ser um amigo, um parente ou alguém que amamos. Cada um destes nasceu em um lar, tiveram ou têm famílias. Suas mães choram por eles vivendo nesta situação. Acima de tudo, são filhos de Deus. Jesus veio para eles, aqueles que são rejeitados e renegados, doentes e marginalizados.  Encerro meu desabafo e meu texto fazendo uma pergunta para você querido leitor. E se fosse seu filho?


Por Rafael Raposo

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