Facebook exclui 86 contas e 187 páginas ligadas MBL: possível reparar o estrago já feito?

Sexta, 27 de Julho de 2018.

No intervalo de 27 de abril a 8 de maio de 2018 publicamos 5 colunas sobre “Notícias Falsas” (FAKE NEWS) e seus impactos na política. O motivo inicial foi a onda (cretina) de notícias falsas envolvendo a parlamentar Marielle Franco (PSOL- RJ), assassinada em 14 de março. Lembremos que imediatamente à sua morte, começaram a circular fotos e mensagens mentirosas de que Marielle teria envolvimento com tráfico de drogas e afins. Lembrando que algumas delas foram postadas por uma Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Posteriormente, descobriu-se que uma figura obscura da internet, chamada Luciano Ayan, estava diretamente relacionada com essa divulgação. Mais a adiante, mostrou-se que Ayan era sócio em diversas empresas de dirigentes do Movimento Brasil Livre (MBL).
A decisão recente (dia 25-07-018) do FACEBOOK de excluir uma série de contas e páginas vinculadas ao MBL lançou luz novamente a atuação política do grupo. Segundo a rede social, as páginas eram partes de uma “rede de desinformação” deliberada, intencional e proposital. Ou seja, toda calúnia política, post agressivo sobre qualquer candidato era mais que apenas posicionamento político de seus membros. Eram ações orgânicas de desinformação! As páginas tinham mais de 500.000 seguidores, com intervenção política em direção à pautas do grande empresariado como reforma trabalhista, reforma previdenciária. A cada publicação que disseram que filho de Lula era dono da FRIBOI (JBS), que diziam que filho de Lula era dono de frotas de carros importados, que o deputado Jean Willys (PSOL-RJ) iria apresentar projeto de legalização da pedofilia dentre muitos outros exemplos de notícias falsas intencionais, estava em curso uma rede real de desinformação. Quem fez esse tipo de conteúdo não cometeu um erro inocente. Intencionalmente identificou que esse tipo de postagem teria impacto em pessoas pouco afetas ao debate político ou que a priori não gostassem dessas pessoas citadas.
O MBL realizou tímidas ações críticas ao Governo Temer, mesmo em episódios como gravações do presidente negociando com empresários da FRIBOI, prisão de seu assessor Rodrigo Loures com mala com R$ 500.000 advindos de propina (AÇÃO FILMADA PELA POLÍCIA FEDERAL), prisão de seu braço direito Gedel Vieira com R$ 52 milhões em apartamento em Salvador, reuniões para salvar mandato Aécio Neves, votações para salvar mandato Temer por 2 vezes, após denúncia do ex-procurador Rodrigo Janot. Não se viu em absoluto nenhuma atuação estridente em nenhum dos casos acima mencionados. Face a sua barulhenta militância pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016, podemos dizer que o silêncio nos casos acima indica endossos ou uma ação política partidária.
O MBL oficialmente inicia suas atividades em novembro de 2014, imediatamente após o resultado do segundo turno das eleições de 2014. Lembrando que nessas eleições Dilma Rousseff (PT) venceu Aécio Neves (PSDB) sobre pequena margem percentual (51,64 x 48,36). Atualmente, segundo sua página na internet o MBL possui 8 parlamentares (1 deputado federal e 7 vereadores) que possuem afinidades e\ou são egressos do grupo. Esses parlamentares são dos partidos DEM (1), PSB (1), PV (1) e do PSDB (5).
Segundo informação disposta no site g1 (https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2018/07/25/facebook-retira-do-ar-rede-de-fake-news-ligada-ao-mbl-antes-das-eleicoes-dizem-fontes.ghtml) a decisão do facebook se deveu ao fato de que perfis e páginas excluídos seriam falsos e deliberadamente “enganadores”, o que contraria as normas de funcionamento da rede social. É preciso lembrar que a proliferação de perfis falsos que nítida intenção de influenciar no debate político- muitas vezes por meio de robôs e programas que replicam e redirecionam aos milhões posts e discussões. Até mesmo número de seguidores- que aumenta exponencialmente alcance das postagens- pode ser obtido por meio de compras. Precisamos sempre pensar 5 vezes antes compartilharmos e lermos qualquer coisa. É um desafio democrático cotidiano.

Marcelo Paula de Melo é doutor em Serviço Social (UFRJ) e professor da EEFD-UFRJ

Por Padre Medoro

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