Fake News e Luta Política: formas de agir em tempos de campanha de 2018

Sexta, 25 de Maio de 2018.

A batalha pela opinião pública é disputada todo dia em diversas frentes. Em nossa série de textos sobre as NOTÍCIAS FALSAS (chamadas de FAKE NEWS) vimos que uma imensa parte delas está diretamente ligada à interesses políticos dos mais diversos. Devemos ter claro que não se tratam de interesses políticos somente ligados às disputas eleitorais. Trata-se de algo mais profundo. Pretende-se influenciar diretamente as maneiras de ver e interpretar o mundo. De posicionar-se diante da realidade social e de intervir nessa mesma vida social.
Ainda dialogando diretamente com a série de reportagens sobre NOTÍCIAS FALSAS, publicadas pelo Jornal O Globo, temos um importante exemplo do modo de agir com vistas a dividendos exclusivamente eleitorais. Marco Grillo e Thiago Prado, numa reportagem intitulada “As estratégias de Guerrilha a favor de políticos no Rio nas redes” e publicada no dia 01 de abril de 2018 trazem dados importantíssimos. A reportagem menciona que o PMDB usou o site “FEIJOADA POLÍTICA”, atualmente fora do ar, como forma de atacar adversários. Isso ocorreu na campanha de 2014 contra Marcello Crivella ao governo do Estado e em 2012 contra Marcelo Freixo pela Prefeitura do Rio.
A reportagem também menciona a existência do que chamou de “Exército de perfis” a serviço da campanha de Marcelo Crivella (PRB) na eleição de 2016 à prefeitura do Rio de Janeiro, em que o ex- bispo da Igreja Universal saiu-se vencedor contra Marcelo Freixo (PSOL). A explosão da hashtags #somostodoscrivella10 na noite do debate dos candidatos na TV Globo tinha clara característica da utilização de robôs virtuais. Ao mesmo tempo, afirma a reportagem mencionada, existiam perfis com características parecidas: “enviam mensagens em massa em dias específicos; republicam centenas de postagens de outras contas; atividades intensas em períodos determinados e depois meses de silêncios logo em seguida e não escrevem mensagens alheias a assuntos ligados a Universal e Crivella”. A mesmo reportagem também menciona outros políticos e partidos que se valem dessa medida.
O pensador italiano Antonio Gramsci (1892-1937), fundador do Partido Comunista Italiano, preso político do fascismo de Mussolini por 11 anos e morto no cárcere (na verdade foi solto 1 mês antes de morrer), nos ajuda a refletir porque a luta pela opinião pública é tão central. Gramsci realiza uma relevante discussão do que genericamente chama-se de “opinião pública” e como enriquece nossa análise acerca da relação entre política e educação do consenso. O marxista sardo afirma que a chamada “opinião pública” é indissociável da hegemonia e pelo embate constante entre força e consenso, ou o “... ponto de contato entre sociedade civil e sociedade política (...). O Estado, quando quer iniciar uma ação pouco popular, cria preventivamente a opinião pública adequada, ou seja, organiza e centraliza certos elementos da sociedade civil” (GRAMSCI, 2000, p. 265). Vimos essa ação prévia em diversos exemplos.
Podemos chamar de Fake News as propagandas sobre benefícios das (contra) Reformas do governo ilegítimo de Temer\PMDB? As afirmações de que a Reforma Trabalhista geraria mais empregos; que a reforma do ensino médio promoveria melhorias na educação; que a PEC 55 (congelamento dos gastos públicos por 20 anos) promoveria melhoria nas finanças públicas.
Se de fato tem expressado objetivo de piorar as condições de vida da maioria da população, por que existe a desfaçatez de tentar defender essas medidas!!! São, sem dúvida, exemplo de FAKE NEWS.

Marcelo Paula de Melo é doutor em Serviço Social (UFRJ) e professor da EEFD-UFRJ.

Por Marcelo Melo

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