Fernando, o Aprendiz

Terça, 05 de Fevereiro de 2019.

Fernando, o Aprendiz

Por já estar mais que provado, em qualquer setor de trabalho, do esporte, da ciência e da educação que nenhuma inovação deve começar por cima, porque insistem que lançadores de tendências e evoluções de jogo, como Fernando Diniz, iniciem uma transformação tática pelas equipes profissionais? Para Bruno Silva se tornar um Bruno Iniesta, ele e Fernando Diniz deveriam estar treinando em Xerém, não jogando em Brasília. Nos infantis, sim, seriam abertos, no nascedouro evolutivo dos fundamentos, o desbloqueio às limitações de cada atleta. Sendo assim, não se colocaria em campo times de tradição, como o Fluminense, expostos aos contra ataques por seu treinador achar que basta um mini pré–temporada para o Ezequiel mudar seu tradicional modo de atuar. Tão competente e cheio de boas idéias, melhor lhe tirar do forno do Maracanã, colocar em águas mornas das divisões de base para não queimar precocemente tão inovadoras questões.
Deixo o meu exemplo quando voltei a estudar. Do primário à faculdade, era um quadro negro, um giz branco e um professor que você podia, a todo instante, chamar de seu. Mais do que isto, ele sabia o seu nome. Durante anos só mudava a disciplina, avançávamos na História e os cálculos matemáticos só se complicavam. Mas a disposição das cadeiras, as avaliações, o bedel, quem se lembra? eram os mesmos. Décadas depois, volto e encontro o computador mais tempo dentro dos meus estudos que o professor. Que agora se chama Tutor. Me comunico com meus colegas pelos Fóruns, tiro as dúvidas pelas Salas de Tutorias e estudo por uma fria e calculista Plataforma. Minhas dificuldades são do mesmo tipo das do Zé Ricardo e da do Daniel, que sempre correram com a bola e agora precisam adiantar o relógio para atuar no horário do Tic-Tac. Só que o horário de verão do campeonato carioca pode não resistir a seguidas derrotas, como a de ontem, diante de um tradicional treinador, como Alberto Valentim.
O time do Fluminense não é formado por atletas, como no Barcelona, que desde os infantis recebem um laptop com todos os aplicativos que irão precisar nos profissionais. Se formaram diferentes da maneira como, da noite para o dia, querem vê-los atuar. O resultado? Como no Coritiba e no Atlético Paranaense, no começo se encantaram, mas no meio do caminho precisaram chamar um professor conservador para colocar o Bruno Silva no seu devido lugar. Porque para nós, torcedores tricolores, é preciso que o futuro de resultados seja hoje. E não no dia em que Fernando Diniz, o Aprendiz, se adequar à suas prementes responsabilidades como treinador de futebol..
Futebol é momento, já dizia meu sábio treinador, Pinheiro. E o futuro apenas a Deus, e aos juvenis, pertence.

Por José Roberto Lopes Padilha

Crédito da Foto: Reprodução

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