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Finalmente, a vacina

Terça, 16 de Junho de 2020.

Atualizado em Segunda, 15 de Junho de 2020 às 18:26 horas.

  Finalmente, a vacina

No começo, confesso, foi muito bom. Havia uma reserva de ar em nossos pulmões e o isolamento social foi preenchido com interessantes lives e históricas reprises. Porém, passados três meses, não dá mais para ficar sem nossos respiradores caseiros.
Telas com tubos que eram de válvulas, ganharam o LCD, viraram plasma, Full HD, LED e alcançaram os 5k que sempre abasteceram os pulmões, corações e emoções de uma paixão transmitida de pai para filho.
Primeiro em preto em branco depois em cores, chamada futebol.
Aprendemos, enquanto brasileiros, a respirar futebol. E sem a bola rolando, começar faltar o oxigênio que alimenta nossa maior paixão. O ar do nosso povo se renova naturalmente ao apito do pela empatia que exerce junto a cada um cidadão torcedor.
Há anos, ligamos nossos aparelhos às quartas, sábados e domingos. Quando nosso time cai, e nossa pressão arterial também, os acionamos também às segundas e sextas porque precisamos de cilindros extras para retornar do CTI. Em alta, quem sabe, de volta ao quarto. De novo jogando em casa, em São Januário, Gávea, Laranjeiras, General Severiano, na saudável primeira divisão.
De que adianta flexibilizar a abertura dos shoppings se a paixão pelo Flamengo será apenas uma coletânea de lembranças vendida em uma das suas lojas?
De que adianta abrir os mercados se nosso principal alimento não se encontra em qualquer de suas prateleiras?
De que adianta abrir as farmácias se apenas as vitórias, de preferência num clássico, serão capazes de amenizar nossas dores ante quaisquer adversidades?
Pouco adianta os seiscentos reais no bolso se não há ingressos à venda para nosso sonho maior de consumo.
Mas temos boas notícias. Hoje, na sede da FERJ, será marcado o início da campanha de vacinação. O local será no Maracanã, nesta quarta-feira, às 21h00, durante a realização do primeira partida da Taça Guanabara, entre Flamengo x Bangu.
Serão vacinadas crianças, adultos idosos de todos os sexos. Ao vivo, pelo rádio, televisão aberta ou pelo Canal Premiére.
Jogadores de futebol, no país do futebol, são tão essenciais nesse momento de pandemia quanto os infectologistas, médicos e técnicos de enfermagem. Com uma vantagem: se encontram no auge das sua forma física, não pertencem a qualquer grupo de risco.
Pelo contrário, suas ausências em campo ampliam os riscos dos grupos Young Flu, Raça Rubro Negra, TOV, do Vasco e Fúria Jovem, do Botafogo, entre outras torcidas organizadas.
Não dá mais para ficar sem respirar cada partícula de oxigênio exalado por uma partida de futebol.
Seja bem vinda, então, esta agulha injetada pela ponta das chuteiras a nos livrar de todo o mal.
Goooolllllll! Digo, amém.
 

Por José Roberto Lopes Padilha