Frederico Figner e o fonógrafo

Sábado, 10 de Novembro de 2018.

Frederico Figner e o fonógrafo

Imigrante judeu de origem tcheca, Frederico Figner (1866-1947) viajou pelos Estados Unidos antes de aportar em Belém do Pará, em 1891, trazendo consigo um fonógrafo. Fascinado com a recente invenção, adquiriu um aparelho e passou a percorrer o Brasil promovendo-o em apresentações que lhe renderam boa quantia de dinheiro. O sucesso foi tamanho que Figner se instala definitivamente no Rio de Janeiro, então capital do país, onde abriria uma pequena loja para a comercialização do equipamento. Em homenagem ao inventor do fonógrafo, Figner batiza a loja de “Casa Édison”.
Estabelecida em 1900, a Casa Édison funcionava nas cercanias da Rua Uruguaiana. Inicialmente, apenas importava e vendia aparelhos, discos e acessórios. Dois anos após, expandindo seus negócios, Figner transfere as atividades de sua empresa para um espaçoso sobrado na Rua do Ouvidor. Lá, além de comercializar as “maquinas falantes”, passa a trabalhar com diversos itens de utilidade doméstica e escritório. Neste mesmo espaço, Figner estabelece um pequeno estúdio de gravação, dando início à indústria fonográfica brasileira.
A primeira peça gravada no estúdio da Casa Édison foi o lundu “Isto é bom”, composição de Xisto Bahia (1841-1894), interpretado por Manuel Pedro dos Santos (1870-1944), o “Baiano”. A partir daí, diversos artistas começaram a gravar suas composições em discos, que eram comercializados e distribuídos pela empresa. Inicialmente, as gravações ocorriam no Rio de Janeiro, enquanto os discos eram fabricados em Berlim. Contudo, a produção cresceu sobremaneira que, em 1913, Figner decide aqui estabelecer uma indústria de grande porte, atendendo à expressiva demanda.
Frederico Figner ficou conhecido, também, pelas obras de filantropia. Homem solidário e de grande generosidade, em 1918, durante o surto de gripe espanhola, prestou auxílio aos doentes, cedendo, inclusive, sua casa como hospital. Sensibilizado com a situação de penúria de alguns artistas em fim de carreira, colaborou na criação do “Retiro dos Artistas” (casa de acolhimento a artistas desamparados). Seu trabalho em benefício da Federação Espírita Brasileira também é notório. Destinou, em testamento, boa parte de seus bens a obras de caridade.

Por Vinícius Pereira

Crédito da Foto: Reprodução

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