Grandes Maestros Brasileiros

Sábado, 05 de Outubro de 2019.

Grandes Maestros Brasileiros

Nesta semana, um encontro inesperado nos corredores do hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, Rio de Janeiro/RJ, terminou em uma emocionante manifestação musical: Isaac Karabtchevsky (foto), um dos mais renomados maestros brasileiros fazia exames quando encontrou com o coro “Os Cantareiros”, grupo coral formado por voluntários que se apresentam para os pacientes. Logo, o maestro foi convidado a reger o coro, aceitando prontamente o pedido. Assim, passou a conduzir o grupo improvisadamente.
Diante da manifestação de magnanimidade do maestro, decidi dedicar essa coluna à, pelo menos, três grandes maestros brasileiros que muito contribuíram para a música de concerto no século XX.
Eleazar de Carvalho (1912-1996): sem dúvidas, o maior regente brasileiro de todos os tempos! Cearense de temperamento forte, iniciou sua carreira musical como tubista na Banda do Batalhão Naval. Pediu dispensa de seu posto militar a contragosto dos oficiais do batalhão para poder se dedicar exclusivamente à música, passando a compor o quadro de músicos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 1940, diplomou-se em Regência, tomando parte no quadro de músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira, inicialmente como regente assistente, tornando-se, a posteriori, maestro titular. Aperfeiçoou-se nos Estados Unidos e na Europa, onde conduziu as prestigiosas Orquestra Filarmônica de Berlim e a Filarmônica de Viena. No final de sua carreira, retorna ao Brasil e assume a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – OSESP, para a qual idealizou uma moderna estrutura que só se consolidou após a sua morte, tornando-se a melhor orquestra da América Latina, uma das melhores do mundo!
Isaac Karabtchevsky (1934-): nascido em São Paulo, iniciou seus estudos tocando oboé, porém, aos 19 anos, passou a dedicar-se à regência. Em Belo Horizonte fundou o grupo “Madrigal Renascentista”, excursionando pelo Brasil e exterior. Em 1958, parte para a Alemanha para estudar regência. Ao regressar, atuou frente às mais importantes orquestras do país, sendo a Orquestra Sinfônica Brasileira a de maior destaque. Pelo mundo foi convidado a dirigir diversas orquestras e teatros de ópera importantes. No Brasil, criou o “Projeto Aquarius”, com o propósito de popularizar a música erudita.
John Neschling (1947-): carioca, seu primeiro contato com a música deu-se através do piano. Logo, transferiu-se para a Europa para estudar regência. Foi laureado com inúmeros prêmios e reconhecimentos, atuando em várias orquestras e teatros de óperas internacionais. No Brasil, dirigiu os Teatros Municipais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Sua maior obra, no entanto, foi dar continuidade ao sonho do maestro Eleazar de Carvalho em transformar a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo em uma das melhores do mundo.

Por Vinícius Pereira

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