Henrique Alves de Mesquita: glórias e tragédia de um compositor brasileiro

Sábado, 15 de Junho de 2019.

Henrique Alves de Mesquita: glórias e tragédia de um compositor brasileiro


Mulato e de origem humilde, Henrique Alves de Mesquita (1830-1906) passaria despercebido por uma sociedade escravocrata marcada pela desigualdade se não fosse seu talento e dedicação à música.
Aos 16 anos inicia seus estudos musicais tornando-se, em pouco tempo, um notável trompetista. No ano de 1854, Alves de Mesquita escreve suas primeiras obras. Ao ingressar no Imperial Conservatório de Música, destaca-se pelo empenho e brilhantismo. Ao diplomar-se, em 1856, recebe medalha de ouro, maior distinção que um aluno poderia receber, sendo agraciado com uma bolsa de estudos para aperfeiçoar-se no Conservatório de Paris. Assim, em 1857, parte para a França (cinco anos antes de Carlos Gomes rumar para a Itália), tornando-se o primeiro brasileiro a ser enviado oficialmente ao exterior para o aprimoramento de seus dotes musicais. Em Paris estreou, com grande sucesso, sua ópera “La Nuit au Chateau”. Enviou ao Brasil diversas composições que por aqui estrearam, como a abertura sinfônica “L’Étoile Du Brèsil” e a ópera “O Vagabundo”, saudadas com grande acolhida.
O período de estudos na mais prestigiada instituição de ensino musical do mundo seria sua consumação como músico absoluto do Segundo Império. Entretanto, situações pouco esclarecidas colocariam fim à sua ascensão. No ano de 1863 o compositor viu-se envolvido em um processo criminal do qual recebeu uma condenação de cinco anos de prisão, exigindo habilidades jurídicas do corpo diplomático brasileiro para o relaxamento da pena. Não sobreviveram documentos acerca do processo (acredita-se que foram perdidos em um incêndio), mas tudo aponta que o compositor fora indiciado por “atentado ao pudor” ao “seduzir uma jovem mulher casada”! Este processo seria um estigma para sua carreira, acarretando, inclusive, certa aversão ao compositor por parte do próprio D. Pedro II.
Após seu regresso da Europa (1866), Alves de Mesquita passou a atuar como músico e regente em vários teatros do Rio de Janeiro, compondo diversas obras, atuando nos meios musicais da corte. No ano de 1872 foi nomeado professor de música do Imperial Conservatório de Música (mesma instituição em que se formou), lá permanecendo até sua aposentadoria, em 1904.
Apesar das querelas e da reprovação da coroa, Alves de Mesquita conquistou de maneira inconteste verdadeiros triunfos, como instrumentista, professor e compositor. Escreveu os mais variados gêneros e formas que marcaram a produção musical brasileira do século XIX: óperas, operetas, música sacra, canções, valsas e música de câmara.

Por Vinícius Pereira

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