Hora de mostrar que os bons exemplos devem partir de casa

Sábado, 26 de Janeiro de 2019.

Como parte dos 55,2 milhões de brasileiros que elegeram o presidente Bolsonaro, independente do bombardeio da grande mídia, aguardava ansioso seu pronunciamento oficial sobre impasse polêmico de natureza ética que envolve membro da sua família. Para surpresa dos que torcem contra o novo governo e satisfação geral dos que apostam que novos contornos morais suprimam a desgastada e negativa imagem do Brasil no exterior, assim se pronunciou o presidente: "Se por acaso Flávio errou e isso ficar provado, eu lamento como pai. Se Flávio errou, ele terá de pagar preço por essas ações que não podemos aceitar", em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial. Um recado curto e objetivo para a peçonhenta mídia global, que nunca se preocupou com as grandes questões públicas e com as reais necessidades da população brasileira. A mesma que tão-somente se ocupa em defender seus interesses comprometidos com o corte de privilégios desfrutados há décadas, tanto referentes aos financiamentos de vultuosos empréstimos concedidos pelos bancos públicos a juros abaixo do praticado no mercado financeiro, quanto da suspensão dos contratos de exclusividade pela transmissão de campanhas oficiais do governo federal.
Creio mesmo ter chegado momento de se manifestar sobre a polêmica gerada em torno do seu filho Flávio, eleito senador do Rio de Janeiro, até que os fatos sejam aclarados. Caso o senador Flávio Bolsonaro tenha de fato se nivelado por baixo e se deixado envolver pela mixórdia que persevera regra nos bastidores da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – ALERJ, os ilícitos por ele praticados devem ser punidos na forma da Lei, como dos demais infratores, por mais que deles se tente desvencilhar por suposta influência do cargo ocupado pelo pai. Meu pai, adepto de religião evangélica, que já habita o plano espiritual, costumava dizer: “O diabo te atenta até você fazer algo errado, depois fica rindo da sua cara, te chamando de bobão, como se nada tivesse feito”.
Ainda bem que desfrutamos da Misericórdia e Graça Divina que nos concede a interseção do atributo disciplina. Como espíritos impuros, todos estamos susceptíveis ao erro, mas nunca sem que nossa consciência deixe de acender sinal de alerta, numa mensagem intuitiva de que tais quais escolhas podem nos trazer sérios prejuízos morais. Mesmo alertados pela intuição, às vezes, insistimos na erraticidade subestimando suas inevitáveis consequências futuras, causando muito mal aos outros e à nós mesmos, até nos tornarmos pessoas bem melhores a cada novo dia. É que a gente precisa aprender a florescer onde Deus nos plantou.
Na verdade, o que está em jogo é um projeto de Nação, fulcrado em profundas mudanças na atual ordem econômica, social e ética da política nacional, com base nos argumentos que sustentaram a campanha eleitoral do atual presidente da república, e não poderia ser ameaçado por questões de ordem doméstica que destoe da retórica apregoada. Movimentações financeiras vultuosas não passam sem que sejam criteriosamente esmiuçadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, órgão agora vinculado ao superministério da Justiça e Segurança Pública sob gestão do ministro Sérgio Moro, respeitável pelo zelo, seriedade e equanimidade na condução do que lhe é de competência avaliar e decidir. As investigações sobre repasses/devoluções mensais de servidores ocupantes de cargos comissionados aos parlamentares da ALERJ e demais casas legislativas brasileiras, são objeto de investigação do Ministério Público e demais instâncias judiciais, devendo por eles ser apuradas e esclarecidas. Quando trazidas à tona, caem como bombas na opinião pública e evidenciam como prevalecem irregularidades em todo canto, porém, o fato de o ilícito constituir regra nos labirintos na administração pública não é aceitável que envolva políticos, familiares ou membros exercentes de cargos próximos ao ilustre residente do Palácio do Planalto.
Além de que, concessão de moções legislativas de congratulação constitui instrumento de grande valia para qualquer cidadão de bem ou profissional que tenha se destacado na área em que atue, implicando em insofismável reconhecimento entre seus pares e da própria sociedade. Não cabe a concessão de tão honrosa deferência aos milicianos e delinquentes condenados por crimes diversos, tampouco bem vistas nomeações de seus representantes para exercício de cargos de confiança em seus gabinetes. Por mais que se atribua diretadeligência de assessores ou chefes de gabinete, configuram clara demonstração de falta de critério ético no exercício do mandato de qualquer parlamentar. Enfim, muito ainda há que apurar, investigar e esclarecer, mas a declaração de compromisso coerente manifestada pelo presidente acalma o mercado e injeta esperanças nos brasileiros que acreditam num Brasil melhor para todos.

Por Dr. Willian Machado

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