Igrejas pela vida em tempos de morte

Quarta, 04 de Setembro de 2019.

A violência tem sido uma lamentável, deplorável e crescente realidade de nossa sociedade. Todos os dias somos também agredidos com as notícias de violências urbana, no campo, doméstica, contra a mulher e o menor, contra o ecossistema... O pior. Muitas e muitas consciências vêm sendo também violentadas, seja pela cultura da indiferença – “a televisão todo dia só fala issoe eu já não presto mais atenção nisso” -, seja pela a cultura da morte – “ a solução é a pena de morte”-.
Nos últimos dias fomos chocados com as notícias de alguns suicídios e homicídios na cidade e região. Fazemo-nos solidários com os familiares e amigos das vítimas com nossas orações encharcadas da esperança-certeza na ressurreição e na vida eterna. E prontos para nos aproximar ou acolher com as palavras e os gestos pastorais deixados pelo Senhor Jesus, que veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância (cf.Jo 10,10
E para que não sejam gestos isolados ou meramente emocionais,, precisamosaquecer corações, abrir mentes, unir forças, somar criatividade, enfim dar as mãos para a construção da cultura da vida, da fraternidade e da paz! Sair da indiferença, do isolamento e, até mesmo, da própria dor, luto e/ou rancor para fazer da fé, do amor e da esperança cristãs a canalização vital da iracunda sagrada, como nos ensina a tradição bíblico-profética, para que viver com segurança não seja privilégio de uns poucos, mas a identidade de uma sociedade que se diz cristã.
Esforço comum que deve unir, não só corações, mas o poder público e as instituições da sociedade civil; que poderiam ou deveriam ter como protagonistas as religiões do bem e as Igrejas Cristãs, a partir da fé comum em Deus-Pai, criador do céu, da terra e de toda humanidade. Caso contrário, alimentar divisões religiosas é ferir a paternidade de Deus que aceitou sofrer a morte violenta de seu Filho na cruz para por fim a toda morte e tudo o que gera morte, a tudo que fere a vida, a tudo que divide e discrimina tantos irmãos.
Ouso por isso, propor um tríduo de abstinência pela pátria; concretamente desligar diariamente, no mínimo por 10 minutos, a TV e os demais meios de comunicação, incluindo as novas mídias. Esse tempo seria dedicado à oração, à reflexão e, se possível, uma troca de idéias sobre o que podemos e devemos fazer pela comunidade, bairro e cidade em vista de somar esforços para um paísde cidadãos mais livres e dignos.
Uma outra sugestão seria refletir sobre o tema do Grito dos Excluídos, que a 25 anos a Igreja propõe para o 07 de setembro: “Esse sistema não Vale”! Isso porque, a escalada do desemprego em consequência das medidas do atual governo, como os cortes de investimentos e retirada de direitos que paralisaram a economia, aliada às medidas destruidoras do meio ambiente e focadas no lucro devastador de corporações são elementos que ferem nossa dignidade comum de cidadãos brasileiros.
A beleza dos desfiles cívicos, que envolvem, sobretudo, nossas crianças, adolescentes e jovens, devem nos fazer sonhar, despertar utopias, buscar soluções não só para os próprios interesses ou necessidades pessoais, maspara as minorias, multidão de desempregados e empobrecidos sedentos de justiça, de independência. Na Pastoral do acolhimento-partilha da Paróquia São José Operário assistimos com dor a humilhação de uns 300 cidadãos que precisam diariamente receber por caridade um prato de comida, que teriam direito por justiça. Acordemos a cidadania, a compaixão e a reorganização da sociedade!
Medoro, irmão menor-pare pecador

Por Padre Medoro

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