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Lembranças de um Fla x Flu

Sexta, 14 de Maio de 2021.

Atualizado em Quinta, 13 de Maio de 2021 às 18:41 horas.

  Lembranças de um Fla x Flu

Não passei sete dias ou sete meses nas Laranjeiras. Foram sete anos. Sabia de cor as tonalidades dos vitrais franceses, os atalhos e a cumplicidade dos porteiros para nadar ao meio dia, como treinamento, lógico, e a hora em que o Bar do Fidelis recebia seus preciosos salgados.
Descobri, de tanto circular por lá, que a Taça Olímpica foi alcançada no mesmo ano em que nasci. E para qual lado correr para comemorar o gol junto da nossa torcida.

E como naquela época os juvenis e juniores faziam as preliminares, aquele lado direito das cabines de rádio e das tribunas ficou incorporado na cabeça da gente como a trilha da felicidade.
Daí acabei trocado pelo Doval e fui defender o Flamengo. E no primeiro Fla x Flu, que foi 1x1, quando Zico marcou, quase todos o seguiram para comemorar do lado esquerdo. E esse desligado que vos escreve, segundo os mais próximos vive no "Mundo de Bob", levado pelo hábito, correu em direção contrária.
Quando dei por mim, um saco de pó de arroz atingiu minha cabeça. Estava sozinho debaixo de vaias, protestos e o Maracanã recebia naquela tarde mais de cem mil pagantes. Era o primeiro FlaxFlu após o troca-troca.

Meio sem graça, dei meia volta e ouvi de passagem o puxão de orelhas dado por Iata Anderson e Mario Jorge Guimarães: "Você não tinha nada que ir lá provocar os caras!".
Nem respondi. Voltei a me juntar ao novo grupo, enfrentar os ritos de uma profissão que tomava os sonhos de defender uma paixão, pois seria na bola que teria que provar enganos e acertos. De passes e posturas, não há no futebol outras saídas.
Só o tempo para revelar as razões do que estava sentindo.
Um dia, tinha certeza, eles entenderiam que se corri para aquele lado, não foi a lucidez que me carregou. Foi o coração.

Amor a camisa, um objeto tão em extinção quanto o mico leão dourado. Que o digam o Pedro, Gustavo Scarpa, Miguel...
Pois o meu coração conserva razões, e uma cor esmeraldina a mais, que poucos torcedores ou jornalistas, em cada Fla x Flu, alcançariam entender.

Por José Roberto Lopes Padilha