Mães, madrastas, mulheres...

Terça, 16 de Maio de 2017.

Pegando a deixa do assunto da última crônica da Martha Medeiros (deste domingo das mães), onde ela trata do findar dos tempos das madrastas más que se tornaram realmente mães, ainda que postiças. Realmente a questão desse estereótipo madrasta é muito relativa. Existe um encanto acerca da figura feminina na literatura infantil e nos dias de vivências reais nas famílias instituídas hoje. Nos Contos de Fadas as madrastas ou bruxas detém a magia de envolver os pequenos órfãos em suas persuasivas maldições em nome da inveja, da vingança ou do poder. Há todo um contexto psicológico nessas histórias infantis, que eu adoro investigar e trazer para refletir a relação maternal principalmente. Vemos atualmente avós no papel de mãe, namoradas resgatando enteados ao seio maternal, tias e professoras representando uma fatia da figura feminina maternal para suas crianças, enfim...mulheres sendo mães o tempo todo, e mães querendo ser apenas mulheres. O mais importante na questão é o elo entre os envolvidos. A família modelo deixou de existir (se é que um dia existiu) e deu lugar a um pequeno núcleo entre pessoas que convivem movimentando seus sentimentos o tempo todo ou calando-se ao deparar-se com o intruso indesejável, que é exatamente a madrasta, a que chega de malas e sorrisos prontos para ocupar o lugar das mães. É ambíguo para a criança o sentimento em relação a essa pessoa. “Eu amo a minha mãe, mas sinto-me encantado pela malévola.” Será que ela não pode ser apenas uma mulher com a oportunidade de ser mãe? A carência humana atual é tão grande, que vale a pena experimentar. Deixar esse vínculo ser cortejado para verem no que dá. O que dá legitimidade a maternidade, muitas vezes não são os cromossomos, mas o laço afetivo do cuidar olhando um ao outro mais de perto; mãe e filho. Todos somos pessoas portadoras de falhas e encantamentos sedutores, até mesmo as madrastas. Hoje as mães querem ser também filhas, mulheres, amigas, irmãs, profissionais, mães novamente até mesmo quando dão o ombro amigo. Querem dividir com a filha a pauta mais íntima, os saltos, a maquiagem, o cinema, a viagem, o livro, as manchetes da semana, o olá rapidinho via aplicativos, e mesmo com os filhos querem dividir a mãe que podem ser, madrasta ou não, são sempre mulheres com potencial único de entrelaçar a experiência familiar como o norteador para seguir rumo a vida adulta. E como disse o Beto Guedes...“um mais um é sempre mais que dois.” Ou seja, somar é imprescindível quando existe o amor maternal, mas sem esquecermos que antes de mais nada, somos mulheres. Desarrumadas, chorosas, efusivas, decididas, desapegadas, desajeitadas, dedicadas, viajadas, alegres ou tristes, o que vale é aquilo que trazemos como essência do lado mãe e madrasta capazes de amarmos incondicionalmente as crias.

Por Mônica Ribeiro

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