Massacre em escola estadual de Suzano: Onde estamos falhando na educação das novas gerações?

Sábado, 16 de Março de 2019.

Mais uma vez a sociedade brasileira e comunidade internacional civilizada fica estupefeita diante de mais um episódio de incivilidade. Falo dessa barbárie ocorrida na primeira quinzena de março de 2019, na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, São Paulo, que tanto nos constrange. Segundo investigações policiais, os assassinos planejaram o massacre por mais de um ano, embora ambos apresentassem comportamento sinistro com evidente simpatia por games baseados em enfrentamentos de guerrilha, além de presenças frequentes no submundo da internet do mal, por falta de critérios investigativos mais rígidos, não se tornaram objeto de monitoramento para autoridades policiais. Assim, sem indicadores mais robustos de inclinação ou tendência ao desempenho de atos extremos de violência, passaram batidos, como se diz na linguagem popular, bem distantes dos alvos de investigação das nossas autoridades da segurança pública, até o momento de invadir uma escola pública e assassinar 8 pessoas, entre estudantes e funcionários daquele estabelecimento de ensino.
Guilherme Monteiro e Luiz Henrique, 17 e 25 anos, respectivamente, se conheciam desde a infância, moravam perto e andavam sempre juntos. Ao que informaram vizinhos contatados por equipe da imprensa investigativa, eram meninos normais, respeitadores, além de não apresentarem sinais de uso e abuso de álcool e drogas. Cultivavam o hábito de frequentar uma Lan House para jogar vídeo game, preferencialmente de guerra/combate, talvez como treinamento para se vingar de bullying praticado pelos colegas da escola, contra o menor assassino. Para agravar ainda mais o quadro de discriminação e aguçar intuições humanas perversas, viviam em ambientes domésticos típicos de famílias desestruturadas, conflitantes, envolvidas em rotinas de vida caracterizadas por práticas ilícitas, criminosas, de raros laços, hábitos e vínculos ritualísticos de natureza religiosa e espiritual. Grupos humanos perfeitos para que entidades espirituais de baixa vibração se apossem da guiança de suas vidas, dominando seus pensamentos, palavras e atitudes, instigando-os ao mal, tornando-os marionetes para materialização de seus planos sombrios. Afinal, nunca é demais reiterar que vivemos envoltos numa atmosfera psíquica altamente poluída, e haveremos de atrair exatamente energias correspondentes às que irradiamos.
Percebe-se que as famílias de hoje em dia perderam elos cultivados com devoção pelos nossos antepassados, como comparecer junto com os filhos na sessão dominical de igreja evangélica, missa católica, sessão pública espírita, entre outras. Momentos de reverência à Deus, respeito para com os mais velhos, fortalecimento de ligações familiares mais amplas e comunhão com as doutrinas religiosas que nos serviam de bases culturais alicerçadas no bem maior, edificando nossa sintonia com nobres sentimentos dirigidos à Suprema Consciência. Hoje, vimos pais levarem filhos para as igrejas como objetos que não se tem onde colocar, porque permitem que as crianças apenas se façam em presenças físicas, enquanto se ligam na tela dos seus aparelhos de telefonia e internet. Famílias que não se respeitam, que não se sentam à mesa para tomar refeições. Cada um pega seu prato, serve-se do alimento disponível e se dirige ao seu canto predileto na casa, predominantemente, seus quartos ou jogados nos sofás frente a aparelho de TV ou computador. Ninguém faz oração de agradecimento antes das refeições, como se aquele alimento não tivesse origem, tanto menos, representasse privilégio entre bilhões de pessoas que não contam com qualquer refeição diária, mundo afora.
Lembro muito bem como eram as manhãs de domingo, quando, orquestrados pelo meu saudoso pai, nos preparávamos para ir ao Culto Dominical, na Igreja Metodista, mais tarde, nos Cultos do Salão do Reino das Testemunhas de Jeová, porque membro de berço evangélico, hoje, convicto da Doutrina Espírita Kardecista, todas raízes doutrinárias essencialmente cristãs. Não perdi e tampouco pretendo, abrir mão do hábito de orar antes das refeições, esteja onde estiver. Percebo que as pessoas em torno se surpreendem, se entreolham, mas não esboçam comentários depreciativos. No fundo, devem ser tocadas por lembranças familiares perdidas. A propósito, são as bases religiosas consistentes que nos conduzirão ao desenvolvimento da espiritualidade, independente da escolha religiosa das pessoas, evoluindo para o autoconhecimento, a partir de uma consciência desperta para o fato de que tudo depende de nossa capacidade de transformação em pessoas melhores a cada novo dia, e mantendo-nos vigilantes no controle das nossas próprias más inclinações. Diante desse episódio de dor das famílias e comoção pública resta-nos orar muito, clamando aos Céus que a infinita Misericórdia Divina nos perdoe e abençoe, hoje e no Eterno Presente.

Por Dr. Willian Machado

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