MBL e Notícias Falsas (Fake News): modo de fazer política na difusão de notícias falsas

Sexta, 04 de Maio de 2018.

O protagonismo obtido pelo MOVIMENTO Brasil Livre (MBL) é inegável. Figuras como Kim Kataguiri (nascido em janeiro de 1996 e incensado com visibilidade em torno dos protestos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2015 e 2016) e Fernando Holiday (nascido em setembro de 1996 e partícipe dos protestos contra “corrupção” e pelo impeachment e hoje vereador em São Paulo pelo DEM-PFL) alcançaram relativa presença na cena pública brasileira. Foram e ainda são entrevistados em diversos programas jornalísticos na TV, rádios, internet, escrevendo regularmente colunas em jornais de grande circulação – Kataguiri escreveu semanalmente na Folha de São Paulo entre janeiro de 2016 e março de 2017.
Dito isso, foi emblemática a revelação da expressa vinculação entre Luciano Henrique Ayan com o MBL. Ayan foi o divulgador das notícias falsas sobre a vereadora Marielle Franco do PSOL-RJ, assassinada em 14 de março, junto com seu motorista Anderson Gomes no Rio de Janeiro. Ayan o fez por meio do site e da página no facebook chamada ceticismo político. Sempre bom lembrar que a primeira pessoa a associar Marielle Franco ao tráfico após seu assassinato foi a desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Marília Castro Neves.
Duas reportagens publicadas no jornal O Globo de 24 de março de 2018 (página 12) são reveladoras das maneiras de espalhar notícias falsas com interesse expresso e intencional de produzir uma visão de mundo favorável a idéia que Marielle Franco teria envolvimento com traficantes. Carina Bacellar e Renan Rodrigues, cujo título foi “‘Fake News’ serão investigadas” e Gabriel Carrielo e Marco Grillo, intituladas “Surge Nova Evidência de Elo entre MBL e Site” descortinam uma forma de atuação política profissional- devidamente paga com abundantes recursos. O site\página ceticismo político tem uma média de 460 mil visitantes, sendo que 80% desses acessos são via facebook. Lembrando que o domínio do site\página pertence à Luciano Ayan ou Luciano Henrique Ayan e está registrado fora do Brasil, de forma a dificultar sua identificação. O Globo enviou perguntas diferentes ao MBL e a Ayan acerca dos casos das notícias falsas sobre Marielle Franco. Contudo, perguntas enviadas ao MBL na manhã de 5feira (22-03) foram respondidas (e publicadas) na tarde desse mesmo dia pelo site Ceticismo político. Sendo que oficialmente o MBL disse não conhecer Luciano Ayan.
Posteriormente, Luciano Henrique Ayan identificou-se como Carlos Augusto de Moraes Afonso. Como relatam reportagens do portal R7 (https://noticias.r7.com/brasil/dono-de-pagina-de-fake-news-sobre-marielle-e-socio-de-dirigente-do-mbl-26032018) e do Jornal o Valor (http://www. valor.com.br/politica/5406653/facebook-remove-pagina-ligada-ao-mbl-que-divulgou-%3Ffake-news%3F) Carlos Augusto Afonso é sócio de Pedro D’Eyrot (nome artístico de Pedro Augusto Ferreira Deiro) na empresa Yey Inteligência, aberta em setembro de 2017. D’Erot líder e um dos fundadores do MBL. Carlos Afonso também é sócio, Rafael de Almeida Rizzo, diretor de comunicação do MBL, na empresa Itframing Serviços de TI, criada em julho de 2016, no decorrer do processo de impeachment.
Vamos aos fatos: Carlos Augusto Afonso\Luciano Ayan, divulgador das noticias falsas sobre envolvimento de Marielle Franco com traficantes logo após sua morte, que já publicou diversos textos no blog do MBL, além de ter posts de sua página CETICISMO POLÍTICO compartilhado pelo MBL, é sócio de dirigentes do MBL. Por isso, quando Ayan menciona que desenvolveu um método para a “guerra política” não está exagerando.
O facebook removeu a página CETICISMO POLÍTICO, além do perfil pessoal de Luciano Ayan, porque compartilhar notícias falsas descumpre cláusulas da relação com empresa.

Marcelo Paula de Melo é doutor em Serviço Social (UFRJ) e professor da EEFD-UFRJ.

Por Marcelo Melo

B01 - 728x90