Me sirva um café

Quinta, 25 de Outubro de 2018.

Ultimamente o que mais vemos nas redes sociais são pessoas se agredindo verbalmente por não concordarem no que pensam e defendem. Vivemos em um mundo em que por mais que a humanidade avance tecnologicamente e digamos que vivemos no século XXI, sabemos que é hipocrisia dizer que vivemos em um mundo sem preconceitos.

Hoje uma frase me chamou a atenção assim que abri minha página do Facebook. Era uma frase simples, mas que me fez pensar durante todo o dia. Ela dizia: “Não sou descendente de escravos, sou descendente de seres humanos que foram escravizados”, disse Rosa Louise McCauley, mais conhecida por Rosa Parks, que foi uma costureira negra norte-americana, símbolo do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

Ficou famosa, em 1º de dezembro de 1955, por ter-se recusado frontalmente a ceder o seu lugar no ônibus a um branco, tornando-se o estopim do movimento que foi denominado boicote aos ônibus de Montgomery e posteriormente viria a marcar o início da luta antissegregacionista.

Após ler essa frase, eu quis saber quem era a autora e o que a levou a dizer essas palavras com tamanha propriedade. Após descobrir que ela não apenas lutou contra o preconceito, mas que o vivenciava constantemente, pude perceber o quanto o preconceito está presente em nosso dia a dia.

Você alguma vez já sofreu algum tipo de descriminação, já foi tratado com indiferença? Às vezes falamos muito em bullying, em discriminação na escola. Mas nos esquecemos que a discriminação, a indiferença, o deboche não estão presentes apenas nas escolas. Certa vez me contaram a história de uma linda jovem que lutou contra a pobreza e miséria que viveu. Mas que seus pais a incentivavam a estudar e nunca se sentir uma coitada e que nunca deixassem que a diminuíssem.

Aquela jovem estudou e se formou em direito. No seu primeiro dia de trabalho em uma cidade grande, aquela jovem fez tudo o que acostumava durante todas as manhãs. Ela levantou, pegou a bíblia e fez suas orações pedindo a Deus que lhe desse um abençoado dia de trabalho. Então, ela foi para o trabalho que desejou a vida inteira, mas assim que chegou ao trabalho, que por sinal ficava em um lindo e exuberante prédio de advocacia a primeira pessoa que se dirigiu a ela disse: “será que você pode me servir um cafezinho? Foi quando a jovem respirou profundamente e se lembrou do que seus pais sempre diziam para ela não deixar que ninguém a diminuísse. Então, com toda classe ela respondeu: o fato de eu ser negra não significa que a única função que eu possa exercer seja apenas para servir café. Mas se essa fosse a minha função, saiba que eu faria com toda alegria. Mas só aguarde eu deixar meus pertences na minha sala, pois sou a nova procuradora que terei o prazer em te servir um café. A propósito, você deve ser a minha secretária.

Por Suzane Ferreira

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