Michael Jackson

Quinta, 11 de Abril de 2019.

Michael Jackson

Entre você e seu maior ídolo, a quem imitava, a quem seguia, corria a distância de todos os Thriller. Dos discos que não vendeu, dos clips que não gravou, da legião de fãs que jamais alcançou não sairá mesmo neste instante um só alguém que parta em sua defesa. Nem uma banca de advogados conceituada de Nova York vai lhe defender, muito menos a Madonna vai se meter. Faz parte. E que se danem!
O Michael Jackson que conheci de perto, dançou nas gincanas, abriu desfiles, não cantou Bean. Nem começou no Jackson Five pois nunca vi um só irmão seu, quanto mais cinco! No máximo, ouvi a saga daquela avó que lhe criou sozinho. Este, sim, que sempre cortou os cabelos, e que respeitou meus filhos, é o ser humano que, agora, me interessa trazer à tona. Faz parte da minha missão de jornalista abrir um leque que abana por todos os fatos.
Pois nesta hora do pré-julgamento, da condenação-comoção coletiva realizada até por quem não sabe um pingo desta história, pego minha caneta, que não absolve ou pune, apenas para dizer que não está sozinho, amigo, mesmo que pague, caso deva, as razões que lhe conduziram a este lamentável infortúnio.
Carrregamos defeitos nos ombros, nas mãos e no coração. Repassamos traumas, causamos aflições por onde quer que passamos na vida, em nossas profissões. Mas basta um divã parcelado no cartão para sair de lá perdoado, absolvido, outra vez acolhido por uma sociedade patriarcal, branca, desleal e quase sempre injusta.
Quanto ao Play Jackson, negro, cabelereiro e parte de uma minoria, é melhor mesmo dar primeiro os 80 tiros. E só depois perguntar quem era aquele menino que descia naquele carro, algemado, em direção ao Rio.

Por José Roberto Lopes Padilha

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