Música e Maçonaria – Parte I

Sábado, 25 de Agosto de 2018.

Música e Maçonaria – Parte I


Preliminarmente, advirto o leitor que a presente publicação pretende trazer à luz a práxis maçônica sob a ótica da arte. Por não ser um membro iniciado, pouco conheço sobre os ritos da ordem e, para evitar descabidas suposições, limitei-me àquilo que tive acesso e que fosse fonte digno de confiança. Baseei-me no livro “Coluna de Harmonia”, de Zaly Barros de Araújo (publicação maçônica), além de bibliografia complementar específica de música. Contei, também, com inestimável ajuda do Sr. Nelson Edmundo de Castro Barreto Lima, “Maguila”, Mestre Maçom (“Mestre de Harmonia” da Loja Maçônica 25 de Março, Nº14) a quem dirijo meus agradecimentos.
A Maçonaria, ao longo dos séculos, estimulou diversas realizações artísticas. Seja na música, literatura, teatro, exerceu profunda influência na cultura ocidental, deixando marcas através de sua simbologia característica e dos conceitos filosóficos que a sustentam.
Constituída no início do século XVIII, a Maçonaria estabeleceu diversos ritos que somente seus membros têm acesso e compreensão plena. Não há como um leigo decifrar todo o protocolo dos cerimoniais realizados; contudo, é certo que a música faça parte de todos eles. No princípio, o repertório executado nas reuniões consistia em textos maçônicos adaptados a melodias populares. A partir dos anos 1750, diversas peças foram escritas especificamente para os ritos, muitas, compiladas e editadas em hinários.
A prática musical na Maçonaria desenvolve-se através de uma estrutura denominada “Coluna de Harmonia”. Esta consiste em todos os recursos musicais (instrumentos, partituras, músicos, equipamentos de áudio) disponíveis na Loja (templo onde se reúnem os maçons), sendo coordenada por um membro experiente conhecido como “Mestre de Harmonia”. Cabe ao Mestre de Harmonia providenciar e organizar a execução musical durante as reuniões.
Muitos compositores, membros da irmandade ou não, produziram músicas belíssimas, de elevado valor artístico que, por si, são merecedoras de execução nos templos. Assim, ao longo dos séculos, música maçônica e leiga figuravam nos cerimoniais da fraternidade. Nas Lojas ouvem-se músicas de Bach, Mozart, Beethoven e tantos outros.
Dada a riqueza do assunto, muito há que ser dito. A fim de contemplar o tema próximo de sua totalidade sem, contudo, esgotá-lo, esse texto foi concebido em partes. A próxima publicação contemplará as obras, os compositores maçons e os que embora não o fossem, produziram obras de grande relevância à ordem.

Por Vinícius Pereira

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