Música e Maçonaria (Parte II) – Compositores e suas Obras

Sábado, 01 de Setembro de 2018.

Após publicação passada, onde exploramos a prática musical dentro dos templos maçônicos, versaremos sobre os compositores maçons e suas obras. Consta que muitos músicos ingressaram na ordem; apontar cada um deles, contudo, seria inapropriado, pois resultaria em um texto demasiadamente extenso. Assim, irei me limitar àqueles de maior destaque:
W. A. Mozart (1756-1791): o primeiro grande músico maçom, produziu um bom número de obras maçônicas ou inspiradas em tal filosofia. Tamanha sua importância, tanto para a Maçonaria quanto para a Música Universal, que considero necessário um capítulo exclusivamente dedicado ao assunto que será publicado à posteriori;
F. J. Haydn (1732-1809): professor de Mozart, teve sua fama eclipsada pelo sucesso de seu célebre aluno. Conduzido à Maçonaria pelo próprio Mozart, sua participação na ordem é questionável. Consta que Haydn não era membro assíduo, ausentando-se, permanentemente, meses após sua iniciação. Diferentemente de Mozart, não consta que Haydn tenha produzido música expressamente maçônica; entretanto, seu oratório “A Criação” é tido como uma obra inspirada na Maçonaria por retratar Deus como um ser dotado de plena “consciência lógica e geométrica”.
F. Liszt (1811-1886): grande gênio do piano do sec. XIX, desenvolveu desde cedo grande sensibilidade religiosa e mística. Tinha plena consciência social e política, moderna e liberal, características que o conduziram à Maçonaria. Embora jamais tenha escrito música maçônica, sua obra retrata seu compromisso com uma sociedade progressista e igualitária, onde a arte seria a força propulsora rumo ao progresso.
J. Sibelius (1865-1957): compositor finlandês pouco conhecido do grande público, integrou a casta dos românticos tardios que, no fim do século XIX, exaltava sua terra através da música (Romantismo Nacionalista). Logo após seu ingresso na ordem, escreveu um cancioneiro específico para a ritualística maçônica que ganhou ampla adesão nas lojas norte-americanas.
J. Ph. Souza (1854-1932): um dos mais célebres compositores norte-americanos, destacou-se como compositor de marchas e músicas de banda, embora fosse autor de várias óperas, operetas, suítes orquestrais, poemas sinfônicos, canções e peças solo. Souza teria sido maçom por mais de 50 anos, contudo, não consta nenhuma obra sua que fizesse menção à ordem.
Figuram, também, na constelação de artistas maçons, três personalidades brasileiras dignas de nossas homenagens: D. Pedro I (1798-1834), Imperador do Brasil, possuía notável inteligência e acentuados dotes artísticos; teve primorosa educação e, seguindo a dinastia Bragança, cultuava a música. Instrumentista e compositor diletante, escreveu diversas músicas, dedicando um “Hino” à Maçonaria. A. Carlos Gomes (1836-1896), o mais importante compositor brasileiro do século XIX, tornou-se célebre pelas suas óperas. Apesar de sua extensa produção musical, parece não ter escrito música dedicada à fraternidade. Luiz Gonzaga “Gonzagão” (1912-1989), figura sui generis da música popular brasileira, eternizou a cultura nordestina em suas músicas. Compôs a canção “Acácia Amarela” em homenagem à Maçonaria.

Por Vinícius Pereira

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