Música e Maçonaria (Parte III) – Bach e Beethoven foram maçons?

Sábado, 15 de Setembro de 2018.

Música e Maçonaria (Parte III) – Bach e Beethoven foram maçons?

Os segredos da Maçonaria sempre despertaram a imaginação dos leigos, razão pela qual difundiram-se diversas lendas, teorias conspiratórias, informações inverídicas ou imprecisas. No que diz respeito à música, duas hipóteses foram formuladas sem, contudo, possuírem qualquer fundamentação que as comprovassem: que os compositores Johann Sebastian Bach (1685-1750) e Ludwig van Beethoven (1770-1827) fossem maçons.
É inegável que a obra dos compositores em questão contribuíram imensamente para a cultura ocidental e que muitas dessas obras guardam certa relação com algumas filosofias maçônicas. Essa correlação, no entanto, não é prova suficiente para comprovar tais hipóteses.
No caso de Bach, temos um cidadão que, embora não estivesse alheio aos preceitos iluministas vigentes no século XVIII, passava ao largo de qualquer agitação social, artística e cultural. Homem de grande erudição, Bach levava uma vida simples; cidadão pacato e dedicado à família e ao lar, introspectivo e profundamente religioso. Trabalhava incansavelmente, tanto como músico e compositor da Igreja de São Tomás, de Leipzig, quanto como docente no ensino da música e humanidades.
Alguns dados afastam a as possibilidades de Bach ter sido maçom: primeiramente, não há nenhum registro em documentos que ateste o ingresso do compositor na ordem. Além disso, o fato de a primeira Loja ter se instalado em Leipzig no ano de 1741, quando Bach se encontrava a avançada idade de 56 anos, e pelo seu perfil reservado, podemos julgar improvável que Bach tenha se sentido atraído em tomar parte na Maçonaria. Dois de seus filhos, no entanto, comprovadamente pertenceram à irmandade.
A questão de Beethoven é mais complexa. Homem de espírito incendiário, viveu intensamente toda a transformação resultante das ideias iluministas, que culminaram com a Revolução Francesa. Embora Beethoven fosse católico e convivesse entre a nobreza vienense, sempre adotou uma postura anticlerical e republicana. Ainda que possuísse muitos amigos maçons, como os escritores e filósofos Goethe e Schiller, não há nenhum documento comprobatório que Beethoven pertencera à Maçonaria.
A presença da Maçonaria na música de Beethoven é evidente, principalmente em duas de suas maiores obras: a ópera “Fidelio” e na 9ª Sinfonia. Em Fidelio, encontramos a narrativa do triunfo do amor e da liberdade sobre a tirania. Nela, a personagem Leonora se disfarça de carcereiro para libertar seu amado de uma injusta prisão política. Na famosíssima 9ª Sinfonia, encontramos um poema em coral que celebra as virtudes do homem.
Por fim, concluo que não há provas para se afirmar que os compositores em análise foram, de fato, maçons; entretanto, essa discussão não é necessária para que apreciemos as obras desses dois grandes gênios.


Por Vinícius Pereira

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