Música e Maçonaria (Parte IV) - Mozart

Sábado, 22 de Setembro de 2018.

Música e Maçonaria (Parte IV) - Mozart

Iniciado em 1784, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) devotou-se à Maçonaria com entusiasmo, o que lhe garantiu ascensão aos graus mais elevados da irmandade em poucos meses. A produção musical de Mozart dedicada à Maçonaria, entretanto, antecede sua iniciação. (Na imagem, Mozart com vestimentas maçônicas).
Sua primeira obra maçônica data de 1772. Trata-se da canção “O Heiliges Band der Freundschaft” (O Laço da Amizade). Contudo, as obras maçônicas mais importantes de Mozart são: a “Maureriche Trauermusik” (Música Fúnebre Maçônica), composta em 1785; e a cantata “Laut verkünde unsre Freude” (Proclamemos nossa alegria), composta em 1791 e de onde se extraiu o “Hino Maçônico” (último movimento da cantata).
Mozart produziu, também, numerosas peças “leigas” mas com fortes conotações maçônicas. A primeira obra de grande porte a fazer menções à Maçonaria é a ópera “Thamos, König in Äegypten” (Thamos, rei do Egito), de 1773. Seu texto antecipa a “Flauta Mágica”, apresentando diversas simbologias maçônicas.
Sua ópera “As Bodas de Fígaro” (1786) não faz referências diretas à ordem, porém, seu texto, escrito pelo novelista francês Pierre Beaumarchais (1732-1799), membro da Maçonaria e cujas idéias influenciaram diretamente a Revolução Francesa, possui caráter eminentemente iluminista.
Sua derradeira ópera, “La Clemenza di Tito” (1791) pode ser considerada, também, obra maçônica, não pela simbologia, mas por sua temática. Nela, o benevolente imperador romano Tito Vespasiano representa os governantes “déspotas esclarecidos”, que, embora absolutistas, aderiram ao Iluminismo.

A Flauta Mágica

Obra que merece especial atenção, a “Flauta Mágica” (1791) é uma ópera de explícito proselitismo em favor da Maçonaria. Nela, Mozart expõe objetivamente os ritos e filosofias da irmandade, ornamentando-a com um esoterismo peculiar. Seu enredo contrapõe as virtudes e fraquezas do ser humano e sua busca constante por aperfeiçoamento. Através de alegorias e metáforas, retrata-se, também, a perseguição sofrida pela ordem por defender a liberdade e a razão.
Sob o enfoque do simbolismo, a ópera se cerca de ícones próprios da Maçonaria. Há representações de numerologia, onde o “três” faz-se presente com regularidade (a exemplo dos três fortes acordes que marcam a abertura); as “provas” que a personagem de Sarastro, sumo sacerdote, impõe aos heróis “Tamino” e “Papageno”, onde apenas Tamino se mostra vencedor, por ser mais virtuoso e sábio, enquanto Papageno fracassa, por se entregar às imperfeições da natureza humana. Outras notórias alegorias são as personagens da “Rainha da Noite”, representando a nobreza absolutista; e “Monostasto”, seu criado, uma sutil representação da “Igreja”, que agia contra a Maçonaria para a manutenção do status quo social do “Antigo Regime”. Ao final da ópera, Sarastro canta um “Hino ao Sol”, louvando a vitória da luz sobre as trevas, do eterno perante o terreno, da sabedoria contra o desconhecimento.

Por Vinícius Pereira

Crédito da Foto: Reprodução

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