Música nas escolas já!

Sábado, 06 de Julho de 2019.

Música nas escolas já!

Tema de intenso debate entre professores, pedagogos, gestores públicos e artistas, o assunto “Educação Musical” está longe de um consenso. Muitos concordam com a urgência de se reestabelecer um projeto para a reinclusão de música no currículo escolar de nossas instituições de ensino básico, porém, vários são os desafios para se conseguir um projeto que solucione todas as questões em aberto.
O ensino musical brasileiro encontra suas raízes no século XVI, enquanto por aqui se instalaram as missões jesuíticas. No ano de 1552, desembarcou em nosso país o “mestre de capela” (profissional responsável pelo ensino e prática musicais nas igrejas e mosteiros) Francisco Vaccas, que implementou um sistema de ensino musical voltado para os serviços da Igreja. Durante a reforma administrativa realizada pelo Marquês de Pombal, em 1759, os jesuítas foram banidos do Brasil, encerrando suas atividades de educação musical.
A música viveu um hiato de cinco décadas quando, com a chegada da Família Real, em 1808, iniciou-se uma nova era de desenvolvimento na área artística e cultural. Assim, diversos foram os esforços para a criação de um sistema de formação musical para suprir as demandas da corte. Já em 1841, D. Pedro II cria o Imperial Conservatório de Música, e, no ano de 1851, edita Lei que institui o conteúdo musical nas escolas primárias e secundárias do país. Depois do notável esplendor artístico vivido no império, a educação musical estagnou com o golpe que instituiu a República no Brasil (1889).
Na Era Vargas (1930-1945), entretanto, através do secretário de educação Anísio Teixeira, instituiu-se o “Canto Orfeônico”, disciplina baseada em um sistema de ensino musical idealizado por Villa-Lobos. A disciplina se tornaria obrigatória em todas as escolas do país.
O desmonte de nosso sistema de educação musical se deu no início dos anos 1970, quando foi determinado por lei o agrupamento das disciplinas de Artes Visuais, Teatro, Música e Dança, instituindo uma única disciplina denominada “Educação Artística”. Os sucessivos fracassos nos projetos educacionais dos governos seguintes contribuíram para transformar a disciplina de Educação Artística em mero “apêndice” da grade curricular.
Com o propósito de restaurar a prática musical nas escolas, promulgou-se, em 2008, Lei que transforma a música como conteúdo obrigatório nos currículos escolares na educação básica de todo o país. Passados onze anos, a Lei ainda “não saiu do papel”, pois há pouca concordância entre as propostas apresentadas para a sua efetiva implementação. Um dos maiores obstáculos é a formação de professores. Não há, no Brasil, número suficiente de professores qualificados para atender a essa demanda, situação esta que gera um círculo vicioso na construção intelectual-musical em nosso país.

Por Vinícius Pereira

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