Não será o fim dos tempos

Quarta, 06 de Novembro de 2019.

Não será o fim dos tempos

Todos nós, com raras exceções, já repetimos uma matéria na escola. Outros, perderam o ano. As disciplinas exatas, então, foram cruéis com os que viviam no “Mundo de Bob”. Isto é, não prestavam atenção às aulas, estudavam pouco em casa e jogavam a bola o dia inteiro. Como eu. E um puxão de orelha, um castigo, nos devolveu mais expertos a enxergar a importância da educação na vida da gente.
Sendo assim, não vejo o fim dos tempos se aproximando, um fantasma do América, por exemplo, se aproximando quando o Fluminense tira nota baixa e ocupa a zona de rebaixamento. E corre o risco de repetir o ano.
Ele não fez o dever de casa. Suas duas maiores contratações ocupam a mesma posição e precisam de um leão para voltar e ajudar na marcação. E o Leão, que era o Gérson, deram comida, formaram nas arenas de Xerém e o deixaram escapar para o Ninho do Urubu.
Seu sistema tático implantado na pré-temporada foi futurista, mas logo as exigências dos resultados presentes acabaram nas pranchetas ultrapassadas de Osvaldo de Oliveira. Pior: na fase final, foi herdado pelas mãos de quem ainda procura seu espaço no tempo da bola, o Marcão.
Tantos erros podem levá-lo, merecidamente, a repetir o ano. E eu digo: qual o problema se todos os times grandes que caíram subiram fortalecidos no ano seguinte?
Quando um grande cai, e a história recente de Botafogo, Palmeiras, Grêmio e Vasco estão aí para serem conferidas, a segunda divisão se torna uma primeira divisão B porque as televisões vão pagar melhor perante maiores audiências. Ao contrário de assistir seu time de vez em quando, todos os seus jogos serão transmitidos com exclusividade, sem pagar o Canal Premiére, todas as terças e sextas.
E você, tricolor, vai acompanhar mais, saber de cor a escalação e, principalmente, voltar a ter o gostinho da vitória. É estatística: os grandes que caíram ganharam 90% dos seus jogos.
O ano passa rápido. E as lições aprendidas, erros não mais cometidos, vão tratar de devolver uma das mais respeitadas e tradicionais agremiações do futebol brasileiro, símbolo de organização e disciplina, ao lugar que o Fluminense merece.
Um puxão de orelhas, uma visita dos alunos à sua gloriosa sala de troféus, uma palestra do Rivelino, outra do Edinho, um Rubens Galáxe comandando sua delegação à Porto Alegre, quem sabe a ficha cai e estes meninos alcançam, de uma vez por todas, o tamanho da história do tricolor das Laranjeiras dentro do futebol brasileiro. E lutem, e estudem, até o apito final.

Por José Roberto Lopes Padilha

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