Não Votar Define Eleições: Atenção ao dizer que todos são iguais

Sexta, 31 de Agosto de 2018.

Estamos muito próximos das eleições de 2018. O primeiro turno será em 7 de outubro. Caso haja necessidade, o 2º turno será em 28 de outubro. Serão escolhidos presidente e vice, 27 governadores (as), 513 deputados e deputadas federais e estaduais e 54 senadores e senadoras (2 por estado). Especialmente no Rio de Janeiro, elegeremos 46 deputados federais e 70 deputados estaduais, além de 2 senadores.
Temos notado um grande e compreensível desencanto de imensa parcela da população com as eleições. Nas eleições municipais de 2016- ocorridas após o golpe parlamentar que destituiu a presidenta Dilma Rousseff (PT) do cargo- já tivemos um altíssimo índice de abstenções, votos brancos e nulos. Nas 57 cidades brasileiras que tiveram 2º turno –aquelas com mais de 200 mil eleitores registrados- nas eleições de 2016 mais de 32,5% dos eleitores não compareceram, votaram em branco ou anularam. Isso quer dizer que dos 32,7 milhões de brasileiros e brasileiras que poderiam ter votado, aproximadamente 10,7 milhões não o fizeram no segundo turno em 2016. Esse índice teve um aumento em relação a 2012, quando 26,5% eleitores não compareceram. Em muitos municípios esse contingente não apenas definiu eleição, mas chegou a ter mais votos que vencedores das eleições. Vamos dar como exemplo a cidade do Rio de Janeiro. No segundo turno disputado entre Marcelo Freixo (PSOL) e Marcello Crivella (PRB), tivemos a vitória do segundo com 1.700.030 votos. Contudo, a soma de votos em branco, nulos e abstenções foi 2.034.352 eleitores, sendo que 1.314950 eleitores sequer foram votar (abstenções) (http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/ eleicoes/2016/noticia/2016/10/eleicao-no-rio-tem-13-milhao-de-abstencoes.html). Não resta dúvida que foram determinantes para vitória de Crivella- gravado em vídeo oferecendo vantagens no atendimento de saúde à religiosos de seu grupo político.
Estamos trazendo dados de apenas de abstenção- sem contar brancos e nulos. As cidades campeãs em abstenções- percentual de pessoas QUE NÃO FORAM VOTAR: Ribeirão Preto (SP) - 27,62 %; Petrópolis (RJ) - 27,09%, Rio de Janeiro (RJ) - 26,85%; São Gonçalo (RJ) - 25,61%, Belford Roxo (RJ) - 25,38%, Santo André (SP) - 25,36%, Porto Alegre (RS) - 25,26%, Nova Iguaçu (RJ) - 25,25%, Cuiabá (MT) - 25,1%, Bauru (SP) - 24,87%, Osasco (SP) - 24,78%, Vila Velha (ES) - 24,42%, São Bernardo (SP) - 24,28%, Goiânia (GO) - 24,09%, Diadema (SP) - 23,86%, Duque de Caxias (RJ) - 23,83%, Franca (SP) - 23,52%, Anápolis (GO) - 23,38%, Porto Velho (RO) - 23,35%, Suzano (SP) - 23,25%, Belo Horizonte (MG) - 22,77%, Juiz de Fora (MG) - 22,76%, (http://g1.globo.com/politica/eleicoes/ 2016/blog/eleicao-2016-em-numeros/post/ribeirao-preto-e-cidade-com-maior-abstencao-no-2-turno-rio-e-3.html
Especialmente quanto à abstenções, o desafio é imenso. Quando mais de 30% da população opta por não votar é indicativo que o chamado voto facultativo já existe no Brasil. Os candidatos mais nefastos alimentam-se disso. Aqueles que ajudaram Michel Temer a escapar duas vezes da investigação por corrupção; aqueles que aprovaram a reforma trabalhista alimentam-se dessa abstenção. É um desafio trazer essas pessoas à participarem. As conseqüências atingirão a todos, até mesmo esses que não participaram.

Marcelo Paula de Melo é doutor em Serviço Social (UFRJ) e professor da EEFD-UFRJ

Por Marcelo Melo

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