Nossas atitudes mentais e nosso êxito na lida com as coisas do dia a dia

Sábado, 15 de Junho de 2019.

A polarização que se instalou no Brasil desde que as últimas eleições presidenciais pode ser facilmente observada nas frequentes demonstrações de fanatismo para com todos que divirjam do que se julga certo do ponto de vista político, mesmo entre grupos de amigos com longo histórico de vivências pessoais, familiares e de grupos sociais específicos, se se perde controle do que se fala, um veio de discórdia logo se instala com veemência. Conflitos que se agravam na medida em que se avançam no campo das manifestações contrárias aos grupos defensores dos indiciados, processados e condenados pela Operação Lava Jato, uma vez que se trata de questão que dividiu nosso país entre os que anseiam por grandes mudanças de natureza ética na administração pública e os que resistem em manter a obscuridade, o clientelismo, a farsa, a corrupção, as paixões ideológico-partidárias. Chegando ao ponto de nos incitar embates nada civilizados, às vezes, desrespeitosos, justo para com quem jamais imaginávamos envolvidos em tamanhos enfrentamentos.
É fato que estamos vivendo momentos difíceis e é preciso cuidado com o que pensamos, falamos e a forma como agimos quando envoltos em atmosfera que beira ao bate boca, ao limite do emocional, por mais que estejamos convictos do raciocínio lógico empregado através da articulação das nossas ideias. Porque a nossa lógica pode não se concatenar com o que é lógico para outro ser humano racional, sendo ambos imperfeitos. Nem todos havemos ter sido criados para o mesmo propósito intelectual humano no âmbito psicológico, filosófico, científico, sociológico, e tudo que remeta ao formal escolástico, mas certamente criados imperfeitos e fadados ao alcance do mais elevado estágio de iluminação espiritual, como pedra bruta a ser lapidada em sucessivos processos de transformação de forma e conteúdo, que se desenvolve às custas do que denominamos várias idas e vindas na roda das encarnações.
Dependendo dos fatos e circunstâncias do dia a dia das nossas relações sociais, há momentos em que nos surpreendemos com nossas reações, pelo elevado teor de agressividade nelas empegado. Ficamos perplexos e não conseguimos nos identificar conosco, como que apossados por pensamentos e emoções que não nos pertencem tampouco correspondem ao habitual da nossa personalidade. Nesse particular, somente nos cabe aceitar nossa dimensão subjetiva para assimilar que trazemos dentro de nós mesmos uma ampla variedade de personagens adquiridas ao longo da nossa trajetória humana que, vez ou outra, se manifestam sem que percebamos. Mesmo difíceis de serem mantidas sob nosso controle mental, acabam por se tornarem adestradas quando nos esmeramos em reconhecer para lidar com cada uma dessas nossas facetas. Ademais, como irmãos que somos em termos universais, a infinitude da eternidade nos aguarda retornando em triunfo e vibração espiritual de luz, totalmente a serviço fraterno do bem comum. Porém, enquanto circunscritos ao estágio evolutivo dos planos inferiores e intermediários do plano material, haveremos de passar por diversas provas transcendendo ou sucumbindo cada uma, até que não mais existam barreiras que nos impeçam colaborar diretamente com as altas esferas siderais.
Ótima sugestão para passarmos por esses caminhos espinhosos sem nos ferir e ferir ao outro, remete ao exercício da operação das três peneiras sugeridas pelo filósofo grego Sócrates, quando alguém o interrompeu a leitura para dar uma informação corriqueira, ao que tranquilamente o pensador lhe fez uma pergunta: O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras? A primeira é a da VERDADE. O que você vai me contar é absolutamente verdadeiro? A segunda é a da BONDADE. O que você vai me contar gostaria que outros dissessem a seu respeito? E a terceira é a da NECESSIDADE. Acha mesmo necessário me passar esse fato ou passar adiante? Ajudará alguém? Melhora alguma coisa? Sócrates acrescentou: Lembre-se de que pessoas sábias falam sobre ideias. Pessoas comuns falam sobre coisas. E pessoas medíocres falam sobre pessoas.
Baseado na inspiração de Emmanuel, para a obra O Consolador, de Francisco Cândido Xavier, entendo que a atitude mental que mais favorecerá o nosso êxito espiritual nos trabalhos diários diante das intercorrências que o mundo nos apresenta, seja aquela que nos é ensinada pela Lei divina. Na encarnação em que nos encontramos, isto é, a do esquecimento de todo o mal, para recordar apenas o bem e a sagrada oportunidade de trabalho e edificação, no patrimônio eterno do tempo. Esquecer o mal requer o desafio interior de aniquilá-lo, e perdoar a quem o pratica exige de cada um de nós habilidade de ensinar o amor, atraindo vibrações que favoreçam a conquista de feições sinceras e preciosas daqueles que comungam do nosso tempo. Daí a necessidade do perdão, no mundo, para que o incêndio do mal possa ser exterminado, devolvendo-se a paz legítima aos corações das pessoas.
A boa ação é sempre aquela que visa ao bem de outrem e de quantos lhe cercam o esforço na vida. O critério do bem geral deve ser a essência de qualquer atitude e a melhor ação pode, às vezes, padecer da incompreensão alheia, no instante em que é exteriorizada, mas será sempre vitoriosa, a qualquer tempo, pelo benefício prestado ao indivíduo ou à coletividade.

Por Dr. Willian Machado

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