Notícias falsas como arma de luta política: a disputa pelo senso comum

Sexta, 30 de Março de 2018.

A expressão “batalha no campo das idéias” pretende indicar que as concepções e visões de mundo (ideologia) são frutos de processos sociais concretos e efetivos. O conjunto de crenças morais, políticas e religiosas que as pessoas elaboram acerca da realidade não é algo do acaso. Sofrem influências a partir da rede de sociabilidade que as pessoas lidam.
Atentemos para o funcionamento do:
A) Sistema educacional (escolas públicas e privadas, Universidades públicas e privadas). Nunca numa sociedade marcada por divisões e desigualdades sociais, de gênero e raciais poderá haver a ingênua crença de neutralidade no fazer pedagógico. Escola sem partido é uma medíocre falácia de setores que não querem que o sistema educacional questione e problematize uma série de questões sociais presentes na sociedade.
B) conjunto do aparato midiático (TVs, canais de rádio, jornais escritos e portais de notícias na Internet). Mesmo sendo concessões públicas no Brasil (não sei como funciona em outros países), são empresas como donos e interesses reais. Acreditar que esses interesses reais não influenciam a atuação jornalística é o cúmulo da ingenuidade. Mesmo que seus trabalhadores (jornalistas, colunistas e redatores) tenham alguma margem de manobra, os interesses políticos dos empresários moldam e limitam essa atuação. Os exemplos são diversos. As vozes dissonantes são minúsculas. Há estudos sérios que mostram os poucos minutos disponíveis à crítica da REFORMA da PREVIDÊNCIA em contraste com ampla minutagem de matérias a favor na mídia televisiva.
C) atuação político-pedagógica das diversas matrizes religiosas (incluindo a existência de diversos canais de rádio de TV de diversas matrizes religiosas, com vistas a atingirem um número maior de pessoas com sua visão de mundo e conjunto de crenças). É preciso ter claro que esse processo é inseparável da existência das religiões organizadas. Não iniciou com maior militância política de alguns expoentes dos chamados evangélicos. Menos ainda, implica necessariamente em visões de mundo conservadoras e\ou reacionárias.

Chamamos de “batalha” justamente por envolver árduas disputas. David Harvey, em seu excelente livro “Neoliberalismo: Histórias e implicações” (editora Loyola, 2008), traz a seguinte reflexão sobre a batalha política no campo das idéias. Para o geógrafo estadunidense:
Nenhum modo de pensamento se torna dominante sem propor um aparato conceitual que mobilize nossas sensações e nossos instintos, nossos valores e nossos desejos, assim como as possibilidades inerentes ao mundo social que habitamos. Sem bem sucedido, esse aparato conceitual se incorpora a tal ponto ao senso comum que ser tido por certo e livre de questionamento (p. 15)

Quando vimos a polêmica em torno das notícias falsas (FAKE NEWS), perfis falsos no faceboook (robôs ou pessoas pagas para influenciarem o debate política) vem a tona a expressão “batalha no campo da ideias”. É preciso falar disso em todo o momento para que as pessoas reflitam constantemente sobre o que lêem, ouvem em grupos de Whatsapp e outras redes sociais. Sem isso, corre-se o risco de ser feito de bobo!
P.s. Os tiros na comitiva do ex presidente Lula da Silva (PT) é indicativo que a atuação fascista avança. Quando a discordância política vira tentativa de assassinato é sinal que a CADELA QUE PARIU HITLER já teve outra ninhada. Seus filhotes já estão entre nós!

Marcelo Paula de Melo é doutor em Serviço Social (UFRJ) e professor da EEFD-UFRJ.

Por Marcelo Melo

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