O Cão De Guarda

Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)

Quarta, 23 de Outubro de 2019.

Sabemos que o cachorro é um animal simpático, dócil, obedientee fiel, qualidades estas que ninguém desconhece, por ser o irracional que se mantém mais perto do homem, servindo-lhe de companhia, distração e ajuda. Porém, se o vemos na função de guarda ou vigilante da casa, outro conceito ele então merece.
Em tal função, o animal costuma ser mais antipático para as pessoas estranhas. Orgulhoso de sua dentadura, mostra-a com o maior atrevimento, num gesto que, embora não possa ser apreciado de perto, faz compreender num instante que não se deve confiar muito em sua paciência. É ao mesmo tempo bravo e teimoso, pois é difícil, quando se indispõe contra alguém, fazê-lo mudar de “opinião”, ou seja, de atitude.
Sua fidelidade chega ao auge quando mantém firme a ordem que recebeu do dono, a ponto de negar a este toda autoridade para modificá-la. E vai ainda mais longe: chega a colocar sua condição de guarda acima da de seu dono, proibindo a entrada na casa de toda visita que, embora grata ao amo, não o seja a ele, ao extremo de, muitas vezes, ser necessário acorrentá-lo e ameaçá-lo com severos gritos para fazê-lo ceder em sua atitude agressiva. Tudo nele, então, é desobediência, mau humor e uma gana ardente de sacudir nos dentes aquem viola a ordem recebida. Os fundilhos das calças constituem a obsessão dos cães amarrados à corrente.
Muitos executivos, empregados ou pessoas que ocupam cargos que, de certo modo, servem de ponte entre seus superiores e os demais, assemelham-se, nesse aspecto, aos cães de guarda, pois – como frequentemente se vê – não deixam passar nem os que são chamados por seus próprios patrões. Até parece que foram colocados ali de propósito, para deter e ainda impedir que alguém chegue até seus gabinetes, salvo algumas exceções, para as quais o guarda se desfaz em “lambidas” e “abanos de rabo”. Costumam também, numa ou noutra ocasião, transgredir a ordem, segundo a veneta desse dia, mas estes casos são muitos raros: sua atitude é sempre obstinada e altaneira. Por isso deve ser que muitas vezes, referindo-se a este tipo de seres, é comum dizer que eles se “obstinam” em não entender razões, e isso quando não são rotundamente qualificados de “cães”.
Fizemos referência, nessa comparação, ao cão preso por coleira, que encontra na corrente a justificativa de sua irredutibilidade.
Quantas pessoas há que resistem a modificar condutas e temperamentos estabelecidos por seus superiores, os quais, de sua parte, não veem nenhum inconveniente em retificá-los. Isso ocorre pelo fato de confundirem as funções circunstanciais que desempenham, bem como a autoridade de que foram investidos, com o poder que tem a autoridade que lhes concedeu essa posição.

do livro Intermédio Logosófico, pág.145
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