O ciclo da violência doméstica

Quinta, 27 de Julho de 2017.

O ciclo da violência doméstica

A violência doméstica geralmente acontece de forma cíclica, onde as agressões se manifestam repetidas vezes, intensificando-se em gravidade eseguindo três fases: Início da tensão, explosão da violência e lua-de-mel.
Na fase 01 – “Início e aumento da tensão”: enxerga-se o início dos conflitos conjugais, pequenos atos de descontrole emocional estão presentes, tais como: ameaças, humilhações, xingamentos e até algumas agressões físicas. Geralmente a atitude da mulher nessa fase é de negação da realidade, onde a mesma passa a justificar as ações do agressor, assumindo até uma culpa infundada de que seus atos geraram os episódios violentos. Nesta fase há um massacre da autoestima e a mulher geralmente sente-se envergonhada por estar vivenciando tal situação de humilhação e sofrimento.
Na fase 02 – “Explosão da violência”: Tem-se a manifestação de agressões extremas, em que a mulher sente-se desamparada e vulnerável. As agressões passam a ser mais frequentes e mais graves, geralmente físicas.
Na fase 03 que é a última do ciclo – “Lua-de-mel”: há uma maior tranqüilidade. O agressor demonstra um falso arrependimento, pede desculpas e promete que as agressões nunca voltarão a acontecer. A mulher tem sua esperança renovada, geralmente opta pelo perdão, não denuncia, mantém o relacionamento patológico e a conseqüência dessa escolha é um novo episódio de violência.
No geral, as mulheres acabam mantendo situações abusivas pela dependência emocional e financeira em relação ao parceiro e preocupação com o bem-estar dos filhos (caso existam), sentem-se impotentes e incapazes de romper com esses padrões relacionais disfuncionais.
Os principais sentimentos descritos por mulheres que sofrem violência doméstica são: medo, vergonha, compaixão, insegurança, desamparo, raiva, tristeza e impotência.
Muitos questionam e julgam as mulheres que ainda sendo vítimas, mantém suas relações. Contudo, romper com o ciclo de violência não é um movimento fácil, principalmente porque inúmeras questões e sentimentos estão envolvidos, dentre eles: condição socioeconômica, filhos, dependência afetiva, única casa compartilhada, dentre outros aspectos.
Orientação e suporte psicológico são indispensáveis à mulher vítima de violência, para que a mesma consiga enxergar, compreender e principalmente modificar a sua realidade. Para isso, será necessário que a mesma encare seus medos e inseguranças, bem revela seus conceitos de relacionamento, família, bem-estar, segurança e dependência.

Psicóloga Bruna M. Spada Sant’Anna, Especialista no Atendimento de Casal e Família, Integrante do COMMUTRI – Conselho Municipal da Mulher Trirriense, Palestrante, Coautora do livro: Psicologia Temática e Colunista do jornal ENTRE-RIOSe Revista Minha Saúde.

Por Bruna Spada

Crédito da Foto: Google

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