O descontrole da natalidade

Sexta, 18 de Janeiro de 2019.

O descontrole da natalidade

Estava no corredor do hospital à espera da etiqueta salvo conduto que nos permite acesso às visitações. E era dia do Exame da Orelinha. E como apareceram orelinhas bem novinhas que não escutaram seus pais e avós e caíram sem camisinhas na primeira cantada dos seus namorados. Que começaram seus romances pelo fim e, no lugar de brincar com suas bonecas, estavam por lá com as suas que choram e se alimentam de verdade. Meninas que interromperam o mais interessante período de sua existência, entre a infância e a adolescência, para precocemente encarar a realidade de ser mãe. Tão novas que suas mães, de tabela, serão precocemente promovida a avós. No final de tudo, o parto não traz apenas o choro das crianças. Todos choram pela interrupção do ciclo natural de aproveitamento da melhor parte de suas vidas.
Controle da Natalidade. Esta conceito básico, que na contabilidade social regula entrada e saída das receitas e despesas com a população dos países desenvolvidos, controlando o fluxo dos que nascem com os que os deixam, é subestimado nos países que querem alcançar o pleno desenvolvimento Países que não criam políticas públicas para conter um crescimento demográfico acelerado e continuam a não ter como redistribuir melhor sua renda. É como na casa da gente e nos Supermercados Bramil: como encomendar um filho ou contratar um novo funcionário sem antes saber se há condições de espaço e finanças para criá-lo ou empregá-lo? Alguém deixa de colocar camisinha quando se relaciona com seu próprio negócio? Mas com seu país acha normal e depois fica a Previdência Social deficitária, o SUS nunca alcança os planos de saúde e o Minha Casa nunca abrigará a todos nesta Minha vida.
Após a segunda guerra e o genocídio sobre as populações de Hiroshima e Nagasaki, o Japão teve um Bay-boom no sentido de aumentar sua taxa de natalidade. Quando ela se equilibrou, medidas importantes de planejamento familiar foram implantadas como distribuição de métodos anticoncepcionais, massificação das informações nas escolas e até a construção de clínicas de aborto. Em países que desconhecem a pobreza e o analfabetismo, pelo contrário, possuem o PIB mais do que elevado, como San Marino, nascem 8,7 para uma taxa de mortalidade 7,6 por cada mil pessoas. Na Alemanha, na mesma proporção, nascem 8,42, morrem 11,29. E no local da menor taxa de mortalidade do mundo, o Principado de Mônaco, nascem 6,72 e morrem 8,52 a cada mil pessoas. Desse jeito a conta bate, dá para ter saúde e educação gratuita e justiça social para todo mundo
Exame de Orelinha. De que adianta juntar as meninas em um dia no hospital, furar suas bonequinhas se nossos governantes continuam a brincar de casinhas, protegê-las com soldadinhos de chumbo e, agora, liberar o tiro ao alvo se não sabem quantas entram, quantas saem pelo descontrole orçamentário de uma empresa chamada Brasil?

Por José Roberto Lopes Padilha

Crédito da Foto: Reprodução

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