O homem e o caráter

Sábado, 16 de Dezembro de 2017.

Na semana passada, em viagem para participar de uma palestra sobre o Momento Político, acabei tendo a grata satisfação de reencontrar um amigo e colega jornalista dos velhos e bons tempos que comigo atuou no extinto “Diário de Notícias do Rio de Janeiro, fechado no período do governo da Ditadura Militar.

Puxando pela memória, vieram à tona os bons momentos da trajetória jornalística. Não só o prazer desfilou sobre nossas memórias, como matérias de boa qualidade para os leitores mais exigentes, mas também a imposição da mordaça que era imposta aos profissionais da época, obrigando-os serem seus próprios sensores, o que jamais chegou a nos deixar temerosos de ter que mudar nossa personalidade pessoal e profissional, o que descaracterizaria todo nosso compromisso com os constantes e fiéis leitores.

Há que se manter essa linha para não desfigurar um trabalho sério que se propõe a fazer, nos distanciando da maléfica chamada bajulação mas, isto, sim, nos aproximando cada vez mais daqueles cuja decência é sempre uma questão de honra, não se deixando contaminar pelos oportunistas e velhacos de plantão.

Um indivíduo pode chegar a galgar as mais elevadas culminâncias do saber, conquistar grande fortuna, ter seu nome conhecido em todo o mundo, mas de nada lhe valerão essas coisas se ele não possuir um caráter sólido e firme. Vale salientar que, um homem pode ser um grande advogado, um escritor de renome, um médico de fama. Se não possuir um caráter, se não for um homem no mais amplo sentido da palavra, se carece das virtudes que dão à personalidade verdadeiro valor, então o título ou a popularidade nada valem, pois nada o fazem “homem”. Não é preciso esperar a velhice pratear os cabelos para que os homens possam compreender essa verdade.

Vou ficando por aqui.

Por Carlos Letra

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