O homem mais rico do Brasil

Sexta, 19 de Abril de 2019.

O homem mais rico do Brasil

Tanto brindamos, no Natal, no Réveillon, sexta, sábado, domingo e feriados, que esquecemos de depositar algum dinheiro na poupança. E o resultado foi que o homem mais rico do Brasil, pela primeira vez na história, não é um banqueiro. Nem um empresário que adota um X na coleira de sua amada. O homem mais rico do Brasil, segundo a Forbes, e os dados do carnaval foram a gota de álcool nos critérios que decidiram, é o dono da Ambev.
Não o conheço de perto, mas existem, só em minha cidade, 638 bocas de urnas que o ajudaram a se eleger. A cada três metros tem um cabo eleitoral seu, com tampa de vidro e uma diversidade de rótulos que nos seduzem a sentar num barzinho. E pedir uma barrigudinha da Brahma. E se os amigos chegarem, um litrão da Skol continua a ser a melhor opção.
Há algum tempo deram um novo golpe em nossa economia. Coisas dos americanos, hábeis intervencionistas em derrubar democracias em territórios que possuem gás natural, petróleo, pré-sal, então, chegam a dar cursos para as patentes mais eriçadas. E para juízes de segunda instância que adoram os holofotes. Para isto, ofereceram um coquetel em sua embaixada com Veuve Clicqout Brut. Deste vez o aperitivo não foi o comunismo. Foi a corrupção, em que são mestres e doutores a infiltras espiões e sabotadores.
Enquanto levam uma base em Alcântara de graça, nos mantém reunidos em confraternizações e churrascos. Para ter livre acesso à Alfândega, servem à nação entorpecida mais um copo, até que palmas são batidas para um futuro maluco ser eleito e pisotear nossa constituição cidadã. Ébrios, anestesiados, já no terceiro copo, assistimos o fim dos direitos arduamente alcançados serem tolhidos sem levantar da cadeira. E reunir lucidez para sair às ruas em bloco a defender uma reforma da previdência mais justa e menos desigual.
Quando poupávamos, pensávamos no futuro. Quando bebemos, anestesiamos o presente e chamamos o passado para a conversa. Enquanto isto Rodrigo Maia chama a bancada ruralista num canto. E concede o desconto, amplia a dívida e sai a distribuir emendar parlamentares para quem votar nesta vergonha. E a gente em plena semana santa? Garçon, por favor, traga mais um copo. De vinho tinto de sangue.
Pobre do país, como o Brasil, em que o homem mais rico não aquele que investe em tecnologia, saúde, distribuição de renda e educação, mas, sim, um homem que vive a engarrafar ilusões, embriagar sonhos, dar um porre efêmero em nossa felicidade. E faz com que toda a alegria de sua gente atravesse o bar e ancore, debaixo das nossas tulipas, sonhos e desejos de nos tornamos uma nação livre, lúcida e soberana.

Por José Roberto Lopes Padilha

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