O Juízo

Quinta, 09 de Agosto de 2018.

O Juízo

Após cada “arte”, ou travessura, ouvia da Tia Ione, uma das cento e vinte pessoas adultas que, graças a Deus, nos rodeavam e policiavam nossa formação, que era para voltar cedo para casa. Evitar as “más companhias”. E ter juízo. Sem ele, juízo, dava um trabalho danado. Mesmo assim, na menor travessura dos nossos filhos, exigimos deles : Juízo!
Juízo, o aprendizado e a vivência mais tarde traduziram, porque naquele cedo momento não era possível alcançá-lo, para poder desfrutar da inocência, do prazer de ser criança, é o ato de julgar, avaliar e tirar conclusões a partir da comparação de diferentes situações ou pontos de vista. Ter juízo, continua o Pai Aurélio, outro formador de juízos, quer dizer possuir "um equilíbrio mental". Então, Tia Ione, e pais, avós e professores, como poderia alcançá-lo tão novo diante da vida?
Com excesso de noções de juízo, muitas vezes temos problemas em avaliá-los. Melhor, então, enquanto pais e Tia Ione, entender as travessuras e o tempo de pouco juízo dos nossos filhos. Não nasceram adultos, precisam antes sujar o sofá com sorvetes, largar toalhas molhadas sobre a cama e chegar atrasado para a hora do almoço. Muitas vezes, esquecer de fazer o dever de casa. Se pularem esta etapa terão “traumas de infância”. E visitarão mais cedo psicólogos na adolescência, caso seja permitido que a desfrutem.
Com tantas noções de juízo pelo caminho, ainda tenho, acreditem, amigos velhos de guerra que irão votar no Bolsonaro para presidente. Neste caso, melhor chamar mesmo a Tia Ione. Ainda dá tempo, nunca será tarde, de lhes pedir: Juízo!

Por José Roberto Lopes Padilha

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