O mal estar na Contemporaneidade

Quinta, 03 de Maio de 2018.

Vivemos em uma sociedade capitalista, discriminativa, onde tempo é sinônimo de lucro e dinheiro. No geral, as pessoas vivem “correndo”, agitadas, esgotadas, estressadas, pensando aceleradamente em novos projetos, aperfeiçoamentos, progressão de carreira; vivem em uma intensa busca por reconhecimento, sucesso e destaque. A competitividade no mercado de trabalhado exige maior especialização, dedicação e sacrifícios. O sujeito nunca atinge seus propósitos, vive ansioso, impelido a buscar mais, evitando assim a obsolescência.

O pensamento social atual estimula a individualidade, já a preocupação com o coletivo é praticamente inexistente. Na realidade, o que impera é a “lei do mais forte” ou a “lei dos mais favorecidos”.

Indivíduos que nascem e crescem em meios sociais desfavorecidos, tendem a permanecer à margem das dimensões sociais de saúde, educação e trabalho. Sua representação simbólica na sociedade está pautada na desvalorização e exclusão, o que causa intenso sofrimento psíquico e social.

A descartabilidade dos bens de consumo foi transportada para as relações, onde também se vive a “lei da oferta e da procura”. Poucos são os casais que se implicam em superar seus conflitos em prol de uma qualidade de vida e satisfação conjugal, muitos optam pelo rompimento sem terem se dedicado à relação. Alimentam a fantasia de que no próximo relacionamento terão a sorte de encontrar a pessoa ideal e perfeita para as suas demandas, o que não passa de uma grande ilusão.

Na atualidade, aparentemente as vidas são um verdadeiro espetáculo. Contudo, as incertezas, intensas cobranças e o ritmo acelerado apontam para uma falta que é constitutiva e que nunca será tamponada; afinal,todo ser é faltoso, e o grande desafio é saber lidar com esta realidade.

Psicóloga Bruna M. Spada Sant’Anna, Especialista no Atendimento de Casal e Família, Integrante do COMMUTRI – Conselho Municipal da Mulher Trirriense, Palestrante, Coautora do livro: Psicologia Temática e Colunista do Jornal ENTRE-RIOS e da Revista Minha Saúde.

Por Bruna Spada

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