O meu irmão Bolsonaro

Sexta, 26 de Julho de 2019.

O meu irmão Bolsonaro

Sempre desconfiei dos narradores esportivos que não declaravam para que time torciam. A gente acabava descobrindo pela extensão do grito de gol. Pela emoção, às vezes incontida, que comumente os traiam em certos momentos da narração. Até que surgiu o José Carlos Araújo. E o Garotinho jamais negou ser tricolor de coração. Com sua imparcialidade, conquistada ao longo dos anos em que substituiu Waldir Amaral e Jorge Curi, acabou ganhando mais credibilidade do que os “neutros”. Como ser neutro no país do futebol, do samba e de todas as religiões?
Por isto, jamais deixei de declarar, como jornalista, que sou petista. De carteirinha. E como agradeço que meu irmão querido, o Mauro, o Ruzinho na foto, o Professor Delange Salgueiro, que tanto os admiro, meu guru e cunhado Rubens Junqueira, entre outros, sejam defensores de Sérgio Moro, Bolsonaro e Cia. Fico pensando na qualidade das nossas conversas, nos seus longos embates que buscam dados do IBGE, índices do PIB, gráficos do desemprego em fontes diferentes, que se perderiam em emoção se pensássemos iguais. O gosto da cerveja teria o sabor de uma hóstia. E a taça de vinho vinha com sabor de Ki-suco. Seria um saco!
Porque juntar quem pensa igual já tem a reunião semanal do nosso diretório municipal. Por lá, diretrizes de mobilizações são traçadas, planejamento da chapa para as eleições são discutidas, a criação de uma pauta para a oposição responsável e crítica tão necessária em um regime democrático. Mas nada é tão estimulante e vibrante quando as quatro cadeiras do barzinho não pensam iguais. E cadê o Queiroz? Você não viu as delações do Pallocci? Mas o 04... E os filhos do Lula? Garçom, traga mais uma. Com rótulo vermelho. Não, verde e amarelo....
Vamos juntos e abraçados aprender a conviver com a democracia. Que é a arte do convívio dos que pensam diferentes. Não somos inimigos. Apenas adversários ideológicos. Se não entendermos isto, melhor cada um seguir o seu culto. Ir para sua missa. Bater seu bumbo em paz em seu terreiro. Em nome do Pai, do Lula, desculpem, do filho, do Espírito Santo. Amém.
Falar nisto, esta semana é seu aniversário. Parabéns, irmão. Muitos anos de vida

Por José Roberto Lopes Padilha

Crédito da Foto: Reprodução

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