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O novo troca-troca

Quarta, 11 de Março de 2020.

  O novo troca-troca

Francisco Horta, então presidente do Fluminense, revolucionou o futebol carioca, e brasileiro, nos anos 70. Primeiro, fez do tricolor uma máquina de jogar futebol ao contratar Rivelino, Paulo César e Mário Sérgio. Que se uniram a Félix, Toninho, Edinho, Marco Antonio, Zé Mário, Gil, Cléber, Pintinho e Manfrine, entre outros, para conquistar a Taça GB, o estadual e ser semifinalista do Brasileirão 75.
Ao caminhar para se colocar “em outro patamar”, Horta descobriu que não conseguiria acabar de pagar o passe de Rivelino ao Corinthians. E Rivelino era o maior responsável por toda esta revolução.
E descobriu a solução: reforçar os adversários e transformar o estadual do ano seguinte como o mais rentável de todos os tempos. Mesmo correndo o risco de perder a hegemonia alcançada, mas honrando compromissos, gratificações e salários, Horta enviou Mário Sérgio, Gil e Manfrine ao Botafogo, Abel, Marco Antonio e Zé Mário ao Vasco e este que vos escreve, na época titular da ponta esquerda, junto a Toninho e Roberto ao Flamengo. No total, foram seis titulares cedidos que jogaram a última partida do clube em 75, a semifinal contra o Internacional, no Maracanã. Didi, o treinador ficou bravo. Mas quem manda é o Presidente.
Em troca, o Fluminense recebeu Renato, Miguel, Rodrigues Neto, Dirceuzinho, Doval, Marinho Chagas. O resultado da ousadia: média de público do estadual de 1976 em torno de 100 mil torcedores, entre eles o quinto maior público da história do Maracanã: Flamengo 3x1 Vasco (174.770 torcedores) Detalhe: não era uma decisão. Apenas o primeiro clássico da Taça Guanabara. E o Fluminense anda alcançou o bicampeonato.
Neste instante em que o “patamar acima” se distancia dos outros grandes do Rio, a ponto desta régua alcançar pela primeira vez, em nível de negociações, a toda poderosa Rede Globo, será que não estaria na hora de um novo troca-troca ser realizado para sacudir o futebol carioca?
Vitinho, César e Rodrigo Caio trocados por Nenê, Digão e João Lucas, do Fluminense. Com o Vasco, Filipe Luis, Berrío e Pedro Rocha por Cano, Talles Magno e Pikachú. E, finalmente, Diego Ribas, Léo Pereira, e Renê por Gatito, Alex Santana e Luís Henrique do Botafogo.
Patamares parecidos. Redistribuição de rendas, patrocínios, cotas de TV a evitar este inevitável êxodo dos nossos netos em direção a Fla Boutique depois de tantos mimos e bolos tricolores decorando seus aniversários. O Fla x Flu é o clássico mais charmoso do futebol carioca pelo eterno equilíbrio, mas se a nossa arquibancada continuar esvaziando...E o clássico dos milhões, o que será dele se a miséria ocupar um dos lados?
Calma, gente. Foi só uma sugestão, um “vale a pena trocar de novo” de quem esteve envolvido no primeiro e preservou sua paixão tricolor mesmo tendo a honra de vestir o manto sagrado e atuar ao lado do Zico, Junior e Cia. Detalhe: com os salários em dia.

Por José Roberto Lopes Padilha

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