O Poder de Gerir o Eu - Parte I

Sábado, 12 de Outubro de 2019.

O Poder de Gerir o Eu - Parte I

ampliar a nossa percepção sobre o nosso universo interior e a nossa visão para o mundo ao nosso redor. Mas o que é o “poder” afinal de contas? Claro que essa resposta inclui muitas das nossas crenças, valores, influências, costumes e do contexto existencial que abrange o lado social, cultural, político, religioso, profissional, financeiro e etc. Meu filho “Miguel” hoje com quatro anos e meio é torcedor do Clube de Regatas do Flamengo, visto que sofre influência da minha escolha por torcer pelo time em questão e pela mesma escolha do lado materno. Me recordo de quando ainda era uma criança e sequer compreendia as regras de uma partida de futebol; assistia os jogos ao lado de minha mãe e de meus irmãos Diogo e Nicolau que eram maioria no lar, mesmo diante da presença do meu pai, torcedor de outro time. Eu torcia de forma assídua pelo clube que fui incentivado a torcer e contestava até mesmo as decisões do juiz de futebol que, em tese, tem a função de delegar decisões de forma imparcial. Levando isso para um contexto mais amplo e abrangente podemos perceber que eu, Miguel e nossas famílias tendemos a torcer para a seleção de futebol de nossa pátria, tendo em vista que dificilmente uma criança e posterior jovem ou até mesmo adulto sendo nascido no Brasil viria a torcer para um time do Japão ou escolheria uma seleção de outro país para vibrar de coração. Exceções sempre existirão, mas os indivíduos tendem a seguir passos. Sofremos influências a todo o momento. Com a globalização e constantes avanços tecnológicos os níveis de conhecimento aumentaram, as informações são transmitidas de forma quase que instantânea, propagando muitas tendências e influências na ponte que é estabelecida. Socialização é uma ferramenta primordial para sobrevivência, isso pode ser observado por todo o reino animal. Devemos estar atentos ao que recebemos e assimilamos para que possamos ser mais sensatos e assertivos em nossas ações e reações mentais e físicas, caso contrário deixaremos a desejar e ficaremos fadados aos aprisionamentos mentais e situacionais. É louvável que coloquemos as coisas na balança, vindo a separar o positivo do negativo, nem sempre o “bom senso” estará alinhado com o “senso comum” que por sinal tende a se direcionar para suas raízes e tradições. Toda moeda tem dois lados; podemos ser influenciados bem como podemos influenciar de forma positiva ou negativa. Em meio a todo esse emaranhado de informações, precisamos aumentar o nosso poder de percepção, assimilação, persuasão, decisão e de ‘gestão do nosso eu”.
A palavra “poder” é uma palavra forte! É preciso muito cuidado na utilização da palavra poder, pois a mesma proporciona reações variadas em diferentes tipos de pessoas em distintos contextos. Para muitos a palavra poder gera uma conotação negativa e abrasadora. Alguns sentem-se incomodados, outros tentados e outros acham algo abstrato e curioso. Devemos nos questionar sobre o que de fato significa o poder no nosso entendimento e o quanto compreendemos ser correto e saudável conquistar, desenvolver e amadurecer. Nos primórdios da civilização o poder se baseava nas aptidões físicas dos indivíduos. A lei do mais forte fisicamente vigorava e quanto mais forte fosse a pessoa maior a probabilidade de gerir os próprios pensamentos, ações e a vida das pessoas do grupo. Conforme os processos de civilização avançavam o poder começou a ser transmitido por herança, comumente de forma hereditária. O rei e seu ciclo possuíam muitos poderes e influenciavam o seu contexto social. No Japão o poder do “imperador” era tão grandioso que o mesmo era considerado como um Deus, algo não tão distante da visão de muitos sobre “Alexandre o Grande” e tantos outros. Quando surgiu a industrialização, o dinheiro e a capacidade de reter capital humano se tornaram um diferencial para prosperar. Nos tempos atuais, os detentores da informação e meios midiáticos propagadores possuem um alto índice de popularidade, influência e poder. Entre os bens mais requisitados e valorizados figuram os conhecimentos especializados, conhecimentos esses capazes de realizar feitos extraordinários. Vale ressaltar que o conhecimento sem ação não gera resultados. O mundo está cheio de pensadores, mas com muito menos fazedores. Em meio a todo o contexto existencial o que realmente é o maior “poder humano”? Ao meu ver o maior poder que uma pessoa pode ter é a soma de diversos poderes que juntos são capazes de produzir bons resultados. São fatores que englobam a capacidade de assimilação das informações, de crescer o intelecto, autocontrole, autorresponsabilidade, gratidão, caridade, resiliência, os aspectos fisiológicos, sociais, espirituais, financeiros, de transgredir diante das adversidades nas mais variadas esferas da vida e de gerir o próprio eu com todas as suas emoções, sentimentos, anomalias e virtudes. Todo ponto fraco é um ponto cego que merece atenção, tratativas e os devidos cuidados.Um homem incapaz de gerir o próprio eu caminha sem direção, vaga no vazio e se encontra a mercê de suas fragilidades. Aprenda que a diferença entre o querer e o levantar está em como se escolhe estar. Seja forte e corajoso. Não se apavore nem desanime.

Por Jhean Garcia

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